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Santidade é Amar

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O Concílio Vaticano II nos devolveu a certeza de que todo ser humano é vocacionado à santidade. E essa santidade está profundamente relacionada com o cotidiano e com a prática concreta da vida de cada dia. Para ser santa, a pessoa não precisa fugir do seu estado de vida ou da sua profissão. A santidade é vivida exatamente através do compromisso com a sua condição humana e cristã. A vocação à santidade consiste na resposta ao apelo divino por meio do seu estilo de vida. (cf. Lg 39) Aqueles e aquelas que experimentam a ternura e a misericórdia do Pai são convidados a comunicar essa experiência através do próprio modo de viver. Um estilo de vida que faz com que a beleza do amor seja visível para todos. A vocação à santidade, dentro da perspectiva bíblica assumida pelo Vaticano II e reafirmada agora pelo Papa Francisco, não tem aquelas conotações moralistas de uma ascese que nasceu de um certo espiritualismo de fuga. O mais importante na santidade é o dom, é a graça. Por isso, a Igreja e n…

O Principal é a Vida

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Jesus contou uma parábola interessante sobre um fariseu e um cobrador de impostos que sobem para orar. O fariseu reza de pé, seguro, a sua consciência não o acusa de nada, pois cumpre fielmente a lei, por isso dá graças a Deus, pois quem poderia se considerar um santo senão ele? Quanto ao cobrador de impostos, pelo contrário, retira-se para um canto e nem se atreve a elevar os olhos. Sabe que é pecador e sabe também que não pode mudar de vida. Não pode deixar o seu trabalho e nem devolver o que roubou. Por isso nada promete. Só se pode abandonar à misericórdia de Deus: “Meu Deus, tem piedade de mim, que sou pecador”. Ninguém quer estar no seu lugar, pois Deus não aprova sua conduta. Mas inesperadamente, Jesus conclui a parábola com a seguinte afirmação: “Eu vos declaro: este último voltou para casa justificado e o outro não”. Jesus causa surpresa a todos, pois abre um mundo novo, que rompe todos os esquemas de religião. Deus concede a sua benção a um pecador que se abandona à sua mise…

O Projeto de Jesus

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Qual seria o núcleo da mensagem de Jesus? O que Ele mais queria no mundo? Sabemos que Ele se dedicou em curar a vida das pessoas, curar a convivência social e oferecer o perdão de Deus a todos os seus filhos e suas filhas. Estas linhas de força configuram o projeto de Jesus de abrir caminhos para o “Reino de Deus”, um mundo mais digno e mais são, mais humano e mais feliz, conduzindo a todos para a plenitude da vida. O povo viu, em Jesus, um grande profeta que pôs em marcha um projeto renovador: uma maneira nova de entender e de viver a vida. O seu anúncio é: Deus está a introduzir-se na história humana. “O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia”. O coração da sua mensagem, a paixão que animou toda a sua vida e também a razão pela qual foi morto é o “Reino de Deus”. Esta mensagem comunica que Deus quer construir juntamente conosco uma vida mais humana, um mundo mais justo e feliz para todos, começando pelos últimos; por isso nos convida à conversão, pois t…

Unir-se ao grito

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Jesus, quando grita para o Pai o seu sentimento de abandono: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes”, na verdade está impulsionado pelo próprio Pai para denunciar a situação de injustiça. Jesus traz, no seu grito, o clamor de todo o povo por libertação e Deus sempre intervém com a vitória para todos os que O buscam e confiam nEle, Ele dá a glória da ressurreição para todos aqueles que clamam junto com Jesus na cruz. “Na cruz, Ele exerce um ministério de representação do povo humilhado; é a encarnação do povo oprimido e rejeitado pelos que deveriam ter a missão de salvá-Lo”. O clamor de Jesus revela algo muito importante na vida do Cristão. O grito do povo oprimido não é um simples grito, é um grito de quem confia em Deus, de quem reconhece o Senhor como defensor e guardião da justiça. Para o teólogo Comblin, o clamor do povo tem grande força porque é Deus mesmo que está por detrás desse grito. “Na realidade, o povo rompeu nesse grande clamor, porque o Espírito de Deus sus…

Alegra-te

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“Alegra-te” foi a primeira coisa que Maria ouviu quando soube ser a escolhida para uma missão. “Alegra-te” é, então, a primeira palavra de Deus a toda criatura ao lhes oferecer a salvação. Tal alegria, portanto, vem da experiência do “Deus conosco” que Maria acolhe em seu ser, uma alegria que nasce da fé. Assim, todos nós podemos nos unir a Maria para acolher o salvador e, junto com ela, nos alegrar, pois quando Deus é acolhido com fé, Ele nos revela o caminho da felicidade plena. “A felicidade só pode senti-la a alma, e não a razão, nem o ventre, nem a cabeça, nem o bolso” (Hermann Hesse). Maria, quando soube que sua prima Isabel estava grávida, foi visitá-la, e o encontro delas foi marcado por uma grande alegria. É interessante perceber que quando a vida é fundamentada na fé, traz, como marca, a gratidão a Deus, pois se reconhece a sua ação no cotidiano e o quanto se é cuidado e amado por Ele. Como consequência disso, percebe-se que acontecimentos como a gravidez e o nascimento de um…

Proposta Espiritual de Santo Afonso

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Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a proposta Espiritual de Santo Afonso, o fundador dos Redentoristas. Um dos maiores desejos dele é nos ajudar a sermos capazes de olhar para dentro de nós mesmos e ali encontrarmos Deus. Ele ensina que é necessário descer ao fundo de nosso coração, mergulhar na verdade da própria vida e não enganar a nós mesmos. Afonso diz que com Deus não precisamos ter medo de sermos sinceros; podemos admitir os nossos erros, as nossas limitações e as nossas fraquezas; sermos humildes e aceitarmos a própria verdade. Se muitas vezes nos deparamos com a dificuldade de rezar é porque ainda nos falta essa sinceridade, é com ela que vamos conseguir nos entregar. Quando não temos a atitude humilde de nos reconhecermos pecadores, enganamos a nós mesmos. “A falta de humildade abafa a oração autêntica e nos impede de aprofundar nossa relação com Deus”. A oração é capaz de fazer a própria pessoa se conhecer melhor, se aceitar e se perdoar. O encontro com a verdade de si …

A comunidade que anuncia curando

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As primeiras comunidades sabiam que deveriam agir no mundo curando e, como comunidade unida em nome de Jesus, podemos sim ser essa presença que cura e que alivia o sofrimento. Não é sozinho como um milagreiro, mas como comunidade que gera a vida. Jesus nos ensina como comunidade, e quando nos reunimos em seu nome, Ele está no meio de nós realizando as curas. A ninguém passa despercebido que estamos vivendo uma grave crise de autoridade. A confiança na palavra institucional está em níveis mínimos. Precisamos de uma maneira nova de ensinar. Não é falando de maneira autoritária que vamos anunciar a boa notícia de Deus. Não é suficiente transmitir corretamente a tradição para abrir os corações à alegria da fé. Não somos escribas, mas discípulos de Jesus, e precisamos, como Ele, ensinar curando, pois quando Jesus curava, as pessoas exclamavam: “essa maneira de ensinar com autoridade é nova”. A comunidade deve promover a saúde integral das pessoas, deve ir ao encontro de todos os que se sent…