Preparação para a ordenação presbiteral

O senhor é o meu prêmio[i].
Ele é minha força meu cantar, minha alegria.
Se eu o amar de todo o meu coração, serei o presbítero que Ele quer.

A palavra do Senhor irá fazer morada em mim.
 Serei seu ministro, por isso seus ensinamentos serão acolhidos com adoração e devoção, e produzirá frutos para que eu possa ser testemunho,
com minha vida e minhas palavras.
 Amarei a palavra do Senhor e sem ela não viverei.

Filhos da luz

“Os filhos deste mundo são mais expertos do que os filhos da luz”, disse Jesus ao concluir a parábola do administrador infiel (cf. Lc 16, 1-8). Curioso essa afirmação do Senhor, pois Ele é um filho da luz. Parece então que faz uma ironia, mostrando que ele mesmo, não é considerado pelo mundo, uma pessoa experta.
Qual é a diferença entre um filho do mundo e um filho da luz? Um filho do mundo tem sempre como objetivo conquistar o mundo, alcançar o poder, a riqueza, a fama e gozar dos prazeres. Já um filho da luz se caracteriza por buscar as coisas do alto, pois para ele tudo é considerado lixo diante do bem supremo que é Deus (cf. Fl 3, 8). Assim foi Jesus, que optou por viver a pobreza ao invés da riqueza, optou por servir ao invés de ser servido e fugiu da fama pedindo para manter em segredo os milagres que ele realizava.

Decidir-se a orar

Decidir-se a orar é um grande desafio para o homem de hoje. Pois para este, orar é algo inútil, no sentido de não rentável, é perda de tempo. O mesmo acontece com a ideia de reservar tempo para estar perto de alguém, como por exemplo: passar tempos com os filhos pode parecer ser uma tarefa impossível para muitos de nós. Isso mostra que o homem de hoje precisa reencontrar-se com o verdadeiro sentido da vida, com o sentido da pessoa por ela mesma e com o sentido profundo de sair de si mesmo para estar ao lado de uma pessoa simplesmente por estar, de permanecer ao seu lado por permanecer, de dar a sua vida sem esperar recompensa. Isso quer dizer, que o homem de hoje, precisa se reencontrar com o amor. Pois um amor que não é gratuito não é amor.

Adubar as raízes

O pedido que Jesus faz a multidão para atravessar o lago e ir para a outra margem com ele, é muito sugestivo (Mt 8, 18-22). Este relato pode ser interpretado como um convite de aproximação à própria pessoa do Cristo. Mateus destaca alguns desafios e enfatiza certas decisões radicais necessárias para o enraizamento do desejo de seguir a Cristo. Ele mostra que nosso propósito, deve ser bem discernido e arraigado, não pode partir de uma decisão precipitada, superficial, ou tomada por impulso, para que, quando vierem as dificuldades, elas não nos façam desistir.

“Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”

Diferentemente da proposta dos judeus da época de Jesus, que tinham como ponto auge do ser humano a prática da justiça: “dente por dente, olho por olho”. Para Cristo o auge do ser humano é ser como Deus e agir a partir do amor gratuito e incondicional a todos.
A lei em que os judeus baseavam sua fé recomendava-os a agir sempre de forma justa: amar os amigos e odiar os inimigos (cf. Mt 5, 43). É como se quando alguém nos fizesse um mal, poderíamos por justiça, retribuir este mal na mesma medida. Para eles Deus age assim, limitado a própria justiça.

O Espírito que nos une

Faz parte da oração de Jesus pedir ao Pai que sejamos um, e que façamos parte da unidade que há entre Ele e o Pai (cf. Jo 17,22-23). Nossa união com Deus se dá por meio do Cristo e por obra do Espírito Santo.
            Esta graça se realiza em nós quando deixamos que o amor de Deus nos preencha, nos conduza e nos transforme. O que também faz com que entremos em conflito com o sistema vigente no mundo que é o espírito de competição, movido pela busca desenfreada por poder, por riqueza e por dinheiro. Assim é um desafio viver segundo o Espírito de Deus que nos impulsiona a viver a doação de vida, o serviço, a solidariedade e não a competição.