Por uma ética planetária


Os seres humanos já viveram sentindo-se movidos por forças que agiam no cosmo conectadas a eles, um espírito que perpassa todas as coisas, dando a percepção de pertença a um todo maior. Tudo, então, na natureza, levava o ser humano a ter uma experiência com o divino, tudo lhe revelava Deus. “Essa era marcou nosso inconsciente coletivo até os dias atuais”. Porém, o ser humano descobriu a força física da matéria e da natureza e desligou-a do ser divino, do espírito que perpassa todas as coisas. A natureza deixou de ser reverenciada como manifestação do divino e passou a ser um objeto para seu uso. A concentração nessa experiência trouxe o secularismo, ou seja, Deus não faz mais parte do mundo, nada mais é sagrado e pode ser explorado e dominado como um objeto sem dignidade. Tal cultura gerou uma ilimitada exploração dos recursos naturais em função da acumulação privada, sem solidariedade social. “Dada a voracidade produtivista e consumista, ultrapassamos os limites de suporte da Terra”.

        
    Entre os seres, o humano é o portador de consciência e inteligência, ele tem a missão de ser o jardineiro e cuidador da vida, um ser, portanto, ético. Por isso, a vida deveria ser o maior projeto deste ser, e não o crescimento do sistema econômico-financeiro. Para levar o projeto de cuidar da vida adiante, precisamos “de uma nova sensibilidade ética, novos valores, outras formas de relacionamento com a natureza e novos padrões de produção e de consumo. Numa palavra, faz-se urgente um novo paradigma de convivência com a natureza”, um modo de viver que dê centralidade à vida. 
Precisamos de uma ética planetária que nasça de cada um, que seja compreendida e realizada por todos, sem imposições. O cuidado com a casa comum deve ser uma iniciativa natural do humano. A vida deve ser amada, cuidada e fortalecida e, quando debilitada, deve ser regenerada. Não se pode fazer da vida uma mercadoria, pois ela é sagrada, é sujeita de dignidade, é portadora de direitos. “Tudo o que existe e vive possui um valor intrínseco, independentemente do uso humano, merece existir e tem o direito de viver”. A Terra participa da mesma dignidade do ser humano, pois todos somos Terra. Porém, assim como as mulheres, os negros, os indígenas tiveram de lutar pelos seus direitos, também a Terra, a Natureza e os demais seres estão esperando que seus direitos sejam reconhecidos, e depende de nós, seres dotados de entendimento, de sentimentos e de consciência, defendermos tais direitos. “A criação aguarda ansiosamente a manifestação dos filhos de Deus” (Rm 8, 19). Toda a criação é um todo evolucionário universal, forma uma comunidade de vida. 

Oração pelo Sínodo para a Amazônia
Deus Pai, Filho e Espírito Santo,
Iluminai com a vossa graça a Igreja que está na Amazônia.
Ajudai-nos a preparar com alegria, fé e esperança o Sínodo Pan-Amazônico:
“Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral”.
Abri nossos olhos, nossa mente e coração
Para acolhermos o que vosso Espírito diz à Igreja na Amazônia.
Suscitai discípulas e discípulos missionários,
Que, pela palavra e o testemunho de vida,
Anunciem o Evangelho aos povos da Amazônia,
E assumam a defesa da terra, das florestas e dos rios da região,
Contra a destruição, poluição e morte.
Nossa Senhora de Nazaré, Rainha da Amazônia, intercedei por nós,
Para que nunca nos faltem coragem e paixão,
Lado a lado com vosso filho Jesus.
Amém!

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