Compromisso ecológico - Parte 2
com todos os que vos procuram.
Saís a nosso encontro
nas maravilhas com que adornastes
toda a criação.
Com que prazer vos deixais
buscar em vossos vestígios
que são as criaturas”
(St. Afonso - O trato familiar com Deus)
A humanidade sempre entendeu a Terra
como algo vivo. Mas nos últimos séculos, dentro da cultura do capital, foi
vista como um reservatório de recursos a serem explorados, não lhe reconhece
nenhuma sacralidade, induzindo, ainda, o ser humano a ver a Terra como um
objeto, fazendo, com isso, que ela deixe de ser amada.
A questão toda não é só econômica, é
mais profunda, é moral e espiritual. Precisamos estabelecer uma outra relação
com a natureza, “sentindo-nos parte dela e vivendo a inteligência do coração,
que nos faz amar e respeitar a vida em cada ser”. “Se quisermos conviver
humanamente, precisamos de outro estilo de habitar o planeta Terra, que tenha
como centro a vida, a humanidade e a Mãe Terra”. A ética deve visar ao outro,
mas não a qualquer outro, mas ao que é pobre e excluído, ao negro, ao indígena,
à mulher oprimida, aos discriminados pelos mais variados preconceitos. Escutar
a voz desses que gritam por socorro é mostrar a consciência de que
precisamos.
O Papa Francisco alerta que o meio
ambiente está indefeso face aos interesses do mercado que se tornaram regras
absolutas (cf. LS 56). As agressões ambientais recaem mais sobre as pessoas
pobres. O esgotamento das águas prejudica especialmente as pessoas que vivem da
pesca artesanal e não possuem nenhuma maneira de substituir sua fonte de renda.
A poluição da água atinge aquele que não tem possibilidade de comprar água e a
elevação do nível do mar atinge o povo que vive na região costeira e não tem
recurso para se transferir (cf. LS 48).
Ao invés de buscar resolver os
problemas dos pobres e pensar em um mundo diferente, alguns governantes se
limitam em propor o controle de natalidade. O que se deve propor é uma mudança
que limite o consumo exacerbado. Uma minoria se julga com o direito de consumir
uma proporção que o planeta não dá conta de conter os resíduos derivados desse
consumo. Muitas vezes, nem nós humanos estamos dando conta de acompanhar aquilo
que produzimos, pois desperdiçamos, um terço do alimento que produzimos,
enquanto muitos sofrem com a miséria (cf. LS 50).
Orar a partir da natureza com Santo
Afonso
Quando vires os rios correrem para o mar sem se deterem, pensa que assim
deves correr tu para Deus, teu único bem.
Quando ouvires o canto dos pássaros, dize para teu coração: - Ouve como
estes animaizinhos louvam ao Senhor! E eu? Louva-o com atos de amor.
Quando vires os vales fertilizados pelas águas que descem das montanhas,
pensa que, do mesmo modo, descem do céu as graças sobre os corações humildes…
Quando teu olhar descansar sobre o mar, pensa na imensidade e na
grandeza de Deus…
Quando contemplares a campina, as flores e os frutos que te alegram com
sua beleza e perfume, exclama: Quantas maravilhas Deus criou para mim nesta
terra para convidar-me a amá-lo, e quantas delícias me reserva no paraíso!
Quando contemplares o céu estrelado, pensa: Um dia terei a felicidade de
caminhar sobre essas estrelas…
Quando vires a felicidade que demonstra um cachorrinho, agradecido pelo
carinho e o alimento que seu dono lhe dá, pensa que tu deves maior felicidade ao Senhor que te
criou, te conserva a vida e te cumula de dons.
Referência:
BOFF, Leonardo. Cuidar da terra, proteger a vida: Como evitar o
fim do mundo. Rio de Janeiro: Record, 2010.
Papa Francisco. Laudato Si - Louvado sejas (LS): sobre o cuidado da casa
comum, Paulus: São Paulo, Loyola: São Paulo, 2015.
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