Helena - Capítulo 3: O verdadeiro alimento
Helena
Um instrumento nas mãos de Deus
Capítulo 3: O verdadeiro alimento
Chegou
o grande momento da comunhão. Helena sempre se emociona. Para ela, esse
mistério de amor é grandioso demais: saber que o próprio Deus quis se fazer
pão, quis se rebaixar de sua grandeza e glória para ser pão que alimenta aquele
que crê. Jesus, além de se fazer humano, pobre e frágil, quis ser pão.
Ela entrou na fila, o coral entoava um
lindo hino sobre a entrega de Jesus: “eu sou o pão da vida”, dizia a canção,
fazendo com que ela ficasse ainda mais emocionada. Quando chegou a sua vez de
receber a Eucaristia, ela não conteve as lágrimas. Voltou para o seu lugar e
entrou em profunda oração, agradecendo ao Senhor por tão grande dádiva. Dizia
não ser digna de recebê-Lo e pedia perdão pelos pecados cometidos. Depois
começou a agradecer tentando conter a vontade de se prostrar no chão em
adoração, pois estava tão plena de Deus, que
sentia a presença Dele tomando todo o seu ser.
Andrés não foi comungar, achou que não
deveria, mas teve o desejo. Fechou um pouco os olhos e lembrou-se da sua
Primeira Eucaristia. Na ocasião, ainda criança, não entendia muito bem o que se
passava, apesar de ter recebido uma boa catequese. Há coisas que demoramos a
assimilar, é preciso tempo e maturidade para entender a profundidade da fé.
Apesar de não entender muito, ele estava feliz naquele dia, era de fato um
momento especial que fazia a sua vida ter sentido. Era como se ele tivesse
nascido para aquele momento da comunhão. Essa lembrança o emocionou.
O
padre deu a benção e a missa terminou. Andrés e Helena continuaram sentados,
enquanto todos estavam se retirando. Depois de um pequeno intervalo, Helena
resolveu dirigir a palavra ao Andrés.
– Olá, rapaz! Qual é o seu nome?
– Andrés – ele respondeu.
– Hoje eu estou aqui por sua causa.
– Como assim? – ele indagou um pouco surpreso.
– Hoje de manhã, eu estava rezando em meu quarto, quando senti que o
Senhor queria que eu viesse para este santuário me encontrar com você.
Andrés olhou dentro dos olhos daquela
mulher gentil, sentiu que ela falava de forma séria e com grande convicção. E
aquele olhar penetrava sua alma, enchendo-o por dentro. Ele, então, resolveu se
abrir.
– Estou aqui depois de muito tempo – disse Andrés –, quando criança, encontrei neste Santuário algo que me faz falta hoje,
não sei exatamente o que é, talvez seja saudade daquele tempo, mas não sei se é
só isso.
– Com certeza não é só saudade, Andrés! – respondeu Helena com entusiasmo e um grande sorriso no rosto. – O que você sentiu foi o seu coração
clamando pelo Senhor. E eu tenho algo para te dizer: Ele também deseja muito
encontrar-se com você. Na verdade, o que Ele realmente quer é ser o seu
verdadeiro alimento.
Andrés permaneceu em silêncio. De certa
forma, o que aquela mulher dizia parecia fazer sentido, pois no fundo ele
também já sabia, mas não tinha coragem de admitir para si mesmo.
– O que devo fazer? – perguntou Andrés.
– Apenas deixe Deus agir em seu coração, Ele vai tomar conta de tudo.
Vamos rezar um pouco – respondeu ela.
Então, Helena pegou as mãos de Andrés,
fechou os olhos e pediu que ele fechasse também. E rezou em voz alta:
– Senhor, aqui está o Andrés. Ele deseja ter o coração preenchido com a
tua presença, não quer mais sentir-se só. Apenas Tu, Senhor, pode mostrar o
sentido do seu viver e dar a ele a verdadeira alegria e a verdadeira paz. Como
escutamos no Evangelho: “Do que adianta ganhar o mundo, mas perder a própria
vida?” O Andrés não quer mais ver a vida passar sem sentido, por isso te
pedimos que abra e preencha novamente o coração desse jovem para o teu amor,
que é imenso. Obrigada, Senhor, porque sei que nos ouve.
Andrés já estava chorando ao ouvir
aquelas lindas palavras que brotavam da oração de Helena, pois elas eram como
flechas que iam no fundo de sua alma. Então ele acreditou que ela realmente
tinha sido enviada por Deus. Ele não conseguiu falar nada, somente quis
abraçá-la. E ali ficaram por um longo período.
Aquele dia marcou a vida de Andrés.
Algo mudou. Ele passou a rezar e a mergulhar cada vez mais na fé, enchendo a
sua vida de sentido e Helena continuou dando apoio ao jovem, ajudando-o a
enfrentar o desafio de cultivar a fé.
FIM