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Compromisso ecológico - parte 1


“Que generoso sois, Senhor,
com todos os que vos procuram.
Saís a nosso encontro
nas maravilhas com que adornastes
toda a criação.
Com que prazer vos deixais 
buscar em vossos vestígios
que são as criaturas” 
(St. Afonso - O trato familiar com Deus)

O planeta não está dando conta de repor e de se autorregular com a excessiva exploração dos seus recursos naturais por parte do seres humanos. Consumimos atualmente 30% a mais do que a Terra pode repor. Vivemos uma relação de agressão contra os seus ritmos dinâmicos. 
Podemos afirmar que o planeta inteiro está crucificado, pois estamos causando o sofrimento da vida e estamos vendo os seus sinais na mudança do clima, na diminuição dos recursos, nas mortes, nas dores. As mudanças climáticas têm, como origem, o processo de industrialização selvagem. “O ser humano se entende fora e acima da natureza, como seu dono e senhor, que pode dispor dela ao seu bel-prazer. Parte de uma falsa pressuposição de que poderia produzir e consumir de forma ilimitada dentro de um planeta limitado”, tal cosmologia levou-nos à crise ecológica, ética, política e econômica. “O capitalismo, em sua natureza, é voraz, acumulador, depredador da natureza, criador de desigualdades e sem sentido de solidariedade com as gerações atuais e muito menos com as futuras. [...O Capitalismo] coisifica todas as coisas, a Terra, a natureza, os seres vivos e também os humanos. Tudo está no mercado e de tudo se pode fazer negócio”.  

Orar a partir da natureza com Santo Afonso

Quando vires os rios correrem para o mar sem se deterem, pensa que assim deves correr tu para Deus, teu único bem. 

Quando ouvires o canto dos pássaros, dize para teu coração: - Ouve como estes animaizinhos louvam ao Senhor! E eu? Louva-o com atos de amor. 

Quando vires os vales fertilizados pelas águas que descem das montanhas, pensa que, do mesmo modo, descem do céu as graças sobre os corações humildes…

Quando teu olhar descansar sobre o mar, pensa na imensidade e na grandeza de Deus…

Quando contemplares a campina, as flores e os frutos que te alegram com sua beleza e perfume, exclama: Quantas maravilhas Deus criou para mim nesta terra para convidar-me a amá-lo, e quantas delícias me reserva no paraíso!

Quando contemplares o céu estrelado, pensa: Um dia terei a felicidade de caminhar sobre essas estrelas…

Quando vires a felicidade que demonstra um cachorrinho, agradecido pelo carinho e o alimento que seu dono lhe dá, pensa  que tu  deves maior felicidade ao Senhor que te criou, te conserva a vida e te cumula de dons.

Referência: BOFF, Leonardo. Cuidar da terra, proteger a vida: Como evitar o fim do mundo. Rio de Janeiro: Record, 2010.

Ler Parte 2

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