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Helena - Capítulo 2: A vida está passando depressa demais


Helena
Um instrumento nas mãos de Deus
 Capítulo 2: A vida está passando depressa demais

Helena estava bem concentrada na missa, prestava muita atenção em cada gesto e em cada palavra do rito, talvez porque conseguisse sentir que a missa era o Céu na Terra. Ela aprendeu que “a liturgia é a parusia contemplada antes do tempo”. Poucos católicos conseguem fazer o elo entre a missa e a realização da plenitude dos tempos. A missa é a apresentação do banquete das núpcias do Cordeiro, vai-se ao Céu quando vamos à missa, independente da qualidade da música ou da inspiração do padre.
Suas orações estavam voltadas para o jovem que estava ao seu lado. Ainda não sabia nada sobre ele, apenas que deveria ajudá-lo. Quando o leitor se dirigiu ao ambão para fazer a Primeira Leitura, ela ficou ainda mais atenta, pois era o momento da Palavra do Senhor e aquelas palavras, com certeza, iriam apontar para a direção a que ela deveria ir. Os textos bíblicos são o caminho principal para quem deseja saber a vontade de Deus. Ter ouvidos de discípulo é o primeiro passo para quem quer ser envolvido com a força do Senhor. Por isso Helena gostava de acompanhar a liturgia do dia. Bem cedinho, na oração da manhã, meditava as Leituras, o Salmo e o Evangelho e, assim, todo o seu dia era iluminado por aquela Palavra meditada. Era como um alimento que lhe oferecia energia para fazer a vontade divina. Quando alguém lhe pedia alguma orientação, a primeira coisa que fazia era ler as leituras do dia com a pessoa. 
O Canto de Aclamação começou a ser entoado, todos ficaram de pé e o padre se dirigiu ao ambão para proclamar o Evangelho: “Se alguém quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois quem quiser salvar a sua própria vida, vai perdê-la; mas quem perder a sua vida por causa de mim, vai salvá-la. E que proveito tem o homem em ganhar o mundo inteiro, mas perde a sua vida?” Depois de ouvir essas palavras, Helena fechou os seus olhos e, ao mesmo tempo em que ouvia a homilia do padre, concentrava-se naquele jovem ao seu lado.
Andrés era o nome do rapaz. Não frequentava a igreja, mas tinha sido batizado e chegou a frequentar a Catequese quando criança, fez a Primeira Comunhão, mas depois disso abandonou completamente a religião. Passou a juventude sem a vivência da fé.  Entrou para uma universidade, cursou Psicologia e estava começando a atender clinicamente alguns pacientes e tudo estava indo bem, exceto quando, às vezes, acordava e sentia que sua vida estava passando depressa demais; sentia como se precisasse fazer algo, como se estivesse perdendo tempo. 
Naquela manhã, ao acordar, ficou um tempo olhando para o teto do seu quarto e novamente vieram ao seu pensamento aqueles questionamentos sobre a sua vida. 
Olhou para o crucifixo pendurado na parede ao lado da sua cama e percebeu que há muito tempo não dava atenção para ele. Começou a pensar  em Deus. 
“Deus não faz parte do meu mundo”, refletiu ele. 
Aquela cruz era apenas um adereço para enfeitar o quarto, nem se lembrava de como ela foi parar ali. O fato é que somente agora aquele crucifixo estava chamando a sua atenção e, de certa forma, questionando a sua vida. Ele acreditava na existência de Deus, acreditava em Jesus Cristo, mas até então essa fé não o tinha interpelado ou afetado o seu viver.
Olhou para o relógio, eram seis e dez, sabia que no Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro havia missas todos os dias pela manhã, mas não tinha certeza do horário. Pegou o seu celular que estava no criado e pesquisou na Internet. Viu que a missa era às sete horas. 
“Será que deveria ir?”, pensou ele. 
Olhou mais uma vez para o crucifixo e decidiu que sim. Na verdade, ele sentiu uma necessidade de ir. Havia como uma angústia em seu peito que precisava de resposta. 
Levantou-se e se arrumou rapidamente, não quis nem tomar café para não se atrasar. Chegou ao Santuário em cima da hora, a missa já estava começando.

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