Helena - Capítulo 1: Um jovem vai precisar da sua ajuda


Helena Um Instrumento nas mãos de Deus

Capítulo 1: Um jovem vai precisar da sua ajuda

Eram 4h da manhã e Helena já estava acordada rezando. Ela meditava profundamente, enquanto seus lábios diziam as “ave-marias” do rosário de forma silenciosa. Desde criança, quando ainda descobria a fé de seus pais, teve uma grande experiência de Deus, algo que não sabia dizer o que era, mas que fez com que ela se apaixonasse por rezar. Estava acompanhando sua mãe que tinha ido participar da tradicional adoração do Santíssimo em uma quinta-feira. Foi quando na capela se fazia silêncio que ela escutou uma voz dentro de si, que enchia o seu ser e a fazia plena. Desejosa de repetir a experiência, ela rezava cada vez mais, ao ponto de um dia sua mãe falar que ela estava exagerando. Então ela rezava escondido da sua mãe. Mais tarde conseguiu entender que a sua experiência era de uma intimidade especial com o seu criador. E realmente sua relação com Deus era diferenciada, tinha iluminações, ideias, revelações e experiências miraculosas.
Com o tempo, ela percebeu que aquela graça era também uma missão. Os dons que recebeu não eram só para ela, mas para colocá-los a serviço de todos, principalmente dos sofredores, o que explicava a grande compaixão que ela sentia quando se deparava com o sofrimento alheio. Deus queria utilizar-se dela como um instrumento seu. 
Naquela manhã, sentada em sua cama, apenas com a chama da vela iluminando o seu quarto, ela olhava para o ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro fixado na parede. Um ícone maravilhoso que ela ganhou de um padre Redentorista. O ícone, para ela, representava o chamado que ela recebeu. Nele, Maria apresenta Jesus, o Perpétuo Socorro, para aqueles que estão sofrendo, além disso, ela sente que uma força muito grande sai dos olhos de Nossa Senhora, que sempre estão voltados para aqueles que contemplam o ícone. Uma força que ela precisava muito, pois aqueles dons vieram acompanhados de grande tribulação. Mas esses sofrimentos não vieram de surpresa, antes deles começarem, o Senhor já havia preparado o coração dela. Ela costumava dizer que assim como Maria recebeu a revelação do velho Simeão: “E uma espada transpassará a tua alma”, Deus também a revelou que uma espada também iria transpassar a sua alma. Mas nunca se sentiu desamparada. Sentia o colo materno de Maria sustentando-a, principalmente quando as coisas estavam mais difíceis, por isso ela gostava tanto daquele ícone. Sentia-se acolhida no colo daquela mãe tão terna.   
 Enquanto ela ainda rezava, o Senhor lhe deu uma missão. Seu coração disparou, sua pele estava arrepiada, começou a sentir-se plena, então uma forte frase surgiu em seu pensamento: 
- Helena, vá até o Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro esta manhã, pois um jovem vai precisar da sua ajuda - Fazia tempo que Deus não falava daquele jeito. Suas experiência eram constantes, mas já tinha tempo que não era assim tão explícito e tão intenso. 
Ela então se lembrou que a missa da manhã no Santuário era às 7h. Olhou para o seu relógio, faltavam dez minutos para as seis, dava para chegar a tempo. “Quem sabe esse jovem não estaria na missa também?”, pensou ela. Ela não se preocupou se na hora iria saber qual jovem deveria ajudar, pois tinha certeza que mesmo se tivesse muitos jovens na sua frente, ela saberia exatamente a qual se dirigir. Isso já havia acontecido várias vezes. Acontece como na história da unção do rei Davi. O profeta Samuel foi procurar o jovem que o Senhor queria que ele ungisse, passaram diante dele sete jovens, mas quando viu Davi, soube que era ele. 
Quando faltavam quinze minutos para as sete, ela chegou ao santuário. Ela o conhecia bem, foi ali que aprendeu a gostar de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e o Senhor falava muitas vezes em seu coração naquele Santuário. Assentou-se no meio da Igreja, de onde ela podia contemplar bem a pintura que fica no presbitério. Logo que se sentou, deu uma olhada ao seu redor para ver se conseguia identificar o jovem que ela estava procurando, mas percebeu que ele ainda não havia chegado. Fechou os olhos para curtir a paz que ela sentia naquela Igreja. Gostava muito quando podia se concentrar em silêncio antes da celebração começar. Nem todas as igrejas propiciam esse silêncio antes do início da missa hoje em dia, sempre há pessoas conversando ou o grupo musical insiste em querer passar o som ou ensaiar faltando poucos minutos para missa começar. Para ela, o silêncio é muito importante, é o momento de se colocar na casa de Deus por inteira, quando não conseguia fazer isso, a missa não era a mesma coisa.
As sete em ponto a missa começava com a comentarista dando as boas-vindas aos fiéis. Helena abriu os olhos e reparou que bem ao seu lado havia se sentado um jovem. O coração dela disparou, - era ele!!! Ela tinha certeza. Mas não quis abordá-lo naquele momento, pois a missa estava começando. Resolveu esperar a celebração acabar.
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