O menino Jesus

Entre os hebreus, o costume era dar ao recém-nascido um nome que tivesse um significado profundo, pois como em quase todas as culturas antigas, o nome indica o que se espera da pessoa. Por isso o Evangelista Mateus fez questão de explicar desde o começo o sentido e o simbolismo do nome “Jesus”, que significa “Deus salva”. Essa criança se chama assim porque salvará o seu povo dos seus pecados. A salvação virá não de um imperador, ou de um dos poderosos com seus exércitos, mas de Deus. E a salvação ofertada a humanidade é a salvação que a resgata da violência que ela comete contra si mesma. É uma reorientação para uma vida mais digna ao ser humano.
Mateus também atribui à criança o nome de “Emanuel”. O Evangelista sabe que ninguém foi chamado assim ao longo da história. É um nome forte e absolutamente novo, que significa “Deus conosco”. Um nome que todos nós que cremos atribuímos a Jesus, pois nele e a partir dele, Deus nos acompanha, nos abençoa e nos salva.
Desde as primeiras comunidades o nome de Jesus é gravado no coração dos fiéis, que recebem o batismo e se reúnem para orar em seu nome. Assim, o nome de Jesus passou a ser uma síntese da fé. Paulo vai escrever que “diante do nome de Jesus deve dobrar-se todo joelho” (Fl 2,10).
Com o nome de Jesus em nossos lábios e em nosso coração, podemos viver e morrer com esperança. Mas, para isso, é preciso viver a experiência do encontro com este filho de Deus que vem como menino em uma manjedoura. A experiência começa com a coragem de ficar a sós e escutar a si mesmo. Achegar-se silenciosamente no íntimo do próprio ser e se perguntar de onde vem a própria vida? O que há no fundo do próprio ser? Depois de entrar neste silêncio questionador, é provável que venha um certo temor e ao mesmo tempo uma paz, pois estará diante do mistério último do próprio ser que chamamos “Deus”. Abandone-se a esse mistério com confiança. Deus pode te parecer imenso e longínquo, porém, se conseguir se abrir a Ele, o sentirá próximo. Deus está em ti sustentando sua fragilidade e fazendo-o viver. Não é como as pessoas que te amam de fora. Deus está em teu próprio ser. Esta experiência do coração pode te fazer compreender a mensagem de fé do Natal. Deus se fez homem. Nunca mais estarás sozinho. Ninguém está só. Deus está conosco.
Agora sabes algo sobre o Natal. Poderá celebrá-lo, desfrutar dele e felicitar as pessoas. Pode alegrar-se com os teus e ser mais generoso com os que sofrem e vivem tristes. Deus está contigo. Esta é a mensagem do Natal: Deus está perto de ti, onde estiver. O Deus inacessível se fez humano e sua proximidade misteriosa nos envolve. Em cada um de nós Deus pode nascer.
Não entenderemos o Natal se não abrirmos a nossa alma ao mistério de Deus que se aproxima de nós e acolhermos a vida que Ele nos oferece e saborear a festa da chegada de um Deus amigo. Deus se fez humano e veio habitar entre nós. Como ter medo de um Deus que se aproxima de nós como um menino? Como fugir diante de quem se oferece a nós como um pequeno, frágil e indefeso? Deus não veio armado de poder para impor-se aos humanos. Ele se aproxima na ternura de uma criança. Não espere encontrar-se com Deus nas atitudes dominadoras, na manifestação de poder, mas na fragilidade do amor e do serviço. Deus é este menino entregue carinhosamente à humanidade, este pequeno que busca o nosso olhar para nos fazer sorrir. Se soubéssemos acolher a proximidade e a ternura de Deus, através desse menino, entenderíamos o mistério do Natal.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R
Missionário Redentorista

Bibliografia:
PAGOLA, José A. O Caminho aberto por Jesus: Mateus. Petrópolis: Vozes, 2013
PAGOLA, José A. O Caminho aberto por Jesus: Lucas. Petrópolis: Vozes, 2013

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