É Natal

Ele não veio para julgar ninguém. Não nasceu para condenar, por isso Ele apareceu como criancinha. Seu chorinho é doce, não afugenta ninguém. Sua mãe enrolou o seu corpinho frágil em uma manta, por que temer? Ele não veio para punir! Ele veio para ser o nosso melhor amigo, celebre sua chegada! Aquele que foi sempre esperado, finalmente chegou. Deus se fez humano e veio morar em nossa casa. Aquele que ninguém jamais viu, aquele a quem os humanos suplicavam: “Senhor, mostra-nos o Teu rosto”, se revelou como é. Permanecendo o Deus que sempre era, assumiu o ser humano que nem sempre existiu. É o mistério da noite do Natal! Deus não permaneceu na sua onipotência eterna, Ele penetrou na fragilidade da criatura. Não atraiu para dentro de si a humanidade, Ele se deixou atrair para dentro da humanidade. Ele veio para o diferente dEle.
Como pode fazer-se pequeno na terra, aquele que é grande no céu? Como pode o estábulo conter aquele que contém todo o universo? Como podem os seus bracinhos estarem envoltos em panos, se seu braço governa a terra e o céu? Como pode?
“Eis que apareceu no presépio a bondade e o amor humanitário de Deus, nosso Salvador” (Tt 3,4). Deus se abaixa, se faz mundo, torna-se homem. Ele não é somente o Deus de quem se cantava: “Grande é o nosso Deus, sem limites é o seu poder”. Agora ele se mostrou assim como é: pequeno é o nosso Deus, infinito é o seu amor! Porque é infinito o seu amor, aproximou-se de nós. Não temeu a matéria, não receou acolher a condição humana, por vezes trágica e, em muitos aspectos, absurda. Quem poderia imaginar que Deus se fizesse homem assim?
O Deus que um dia assumiu o mundo não o abandonou jamais. O Natal não é um dia do ano; é cada dia, porque cada dia carrega dentro de si o Filho eterno encarnado. Ele está na comunidade dos fiéis, está nos seus sacramentos, está nas palavras sagradas, está nos corações dos homens de boa vontade, está no mundo todo a caminho da plenitude.
Quando o pobre que pouco tem e ainda reparte, quando o sedento dá a água e o faminto o pão, quando o fraco fortalece o impotente, “vai Deus mesmo em nosso mesmo caminhar”. Quando se diz a verdade onde impera a mentira, quando se ama onde há ódio, quando se prega a paz onde vigora a guerra, “vai Deus mesmo em nosso mesmo caminhar”,
A encarnação se prolonga, o Verbo perpetua sua ação na história, Jesus Cristo continua a nascer na vida dos homens. Quando professamos, na festa do Natal, com alegria, que o Verbo se fez carne, cremos: Deus está totalmente aqui. Ele veio para sempre. Ele se chama Jesus de Nazaré. Por este Menino, Deus disse definitivamente ao mundo e ao homem: eu te amo. Esta palavra de amor divino feita carne não deixa o mundo indiferente; tudo nele ganha um sentido novo; não há nada que seja totalmente absurdo porque Deus disse: eu te amo. Na nossa noite acendeu-se uma Luz que não se apaga nunca. Deus disse à nossa solidão, às nossas lágrimas, ao nosso desconsolo, às nossas fraquezas: eu te amo.

Texto de Leonardo Boff

Biubliografia:
Boff, Leonardo. Encarnação: A humanidade e a jovialidade de nosso Deus. Petrópolis: Vozes. 1977

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