A missão dos cristãos


Em sua exortação apostólica sobre a santidade, o Papa Francisco afirma que quem deseja verdadeiramente dar glória a Deus com a sua vida, quem realmente quer acolher a graça da santificação, é chamado a se gastar e a se cansar procurando viver as obras de misericórdia promovendo a dignidade da vida do outro.
Comentando a bem aventuranças “Felizes os que choram, porque serão consolados”, ele realça que a cultura atual propõem o contrário, que ao invés de encontrar a própria realização gastando a vida em prol da promoção da vida do outro, a proposta do mundo é fugir dos problemas, afirmando que o que torna a vida boa seria apenas o entretenimento, o prazer e o divertimento. O mundano ensina a fugir das situações de doença e de aflição na família. O mundo não quer chorar, prefere ignorar as situações dolorosas, cobri-las, escondê-las. Porém, as pessoas que veem as coisas como realmente são e se deixam ferir pela aflição e choram no seu coração são capazes de alcançar as profundezas da vida e serem autenticamente felizes. Tais pessoas são consoladas, mas com a consolação de Jesus e não com a do mundo e, com isso, têm coragem de compartilhar o sofrimento alheio e de deixarem de fugir das situações dolorosas. Descobrem, então, que a vida tem sentido socorrendo o outro na sua aflição, compreendendo a angústia alheia, aliviando os outros. Essas pessoas sentem que o outro é carne da sua carne, não temem aproximar-se até tocar a sua ferida, compadecem-se até sentir que as distâncias são superadas.
Essa mesma ideia podemos encontrar no pensamento de uma filósofa e mística chamada Simone Weil, que acredita ser a solidariedade o verdadeiro valor da existência humana, um autêntico projeto de vida. Para ela, o significado da força da vida é a coragem para o serviço até a entrega de si em favor do outro, seria esse  o único antídoto contra a violência, o verdadeiro remédio para a cura das nossas pretensões de grandeza. Ela elabora uma antropologia que concebe cada ser humano responsável pela redenção do outro, assumindo a dor dos irmãos para que Deus possa servi-lo através de nós, cristificando-nos. O amor ao próximo é o amor que desce de Deus em direção ao ser humano. Deus tem urgência em descer em direção aos sofridos e Ele se utiliza daquele que se dispõe a se encontrar com os últimos. Deus se lança na pessoa que se abre à solidariedade para, através dela, poder olhar e escutar os humilhados. Para Simone, a escolha em ficar ao lado de Deus implica fazer da vida um serviço incondicional aos semelhantes. Deus vocaciona o ser humano, na sua condição limitada, a fazer parte desse processo co-criador e co-redentor.
            Assim também pensa Santa Teresa de Calcutá, pois para ela “Deus abaixa-se e serve-se de nós, de ti e de mim, para sermos o seu amor e a sua compaixão no mundo, apesar dos nossos pecados, apesar das nossas misérias e defeitos. Ele depende de nós para amar o mundo e demonstrar-lhe o muito que o ama. Se nos ocuparmos demasiado de nós mesmos, não teremos tempo para os outros”
Estes três pensamentos trazidos aqui nos ajudam a concluir que a missão dos cristãos é, em primeiro lugar, o testemunho de caridade, do serviço aos pobres e aos últimos da sociedade, levando esperança, devolvendo ao ser humano a capacidade de agir e de perceber a sua dignidade.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.
Missionário Redentorista


Bibliografia:
Papa Francisco: Exortação Apostólica Gaudete et Exsultate - sobre a chamada à santidade no mundo atual, 2018
Nicola, Giulia Paola di; Bingemer, Maria Clara Lucchetti. Simone Weil: ação e contemplação. Bauru, SP: Edusc, 2005.

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