Vocação ao amor


A vocação que recebemos de Deus nunca é isolada, ela sempre se dá num contexto de comunidade. Nunca é para si próprio, ela sempre é um dom para ser oferecido à comunidade. O chamado que Deus nos faz é de sermos o seu povo, por isso toda vocação é um compromisso, um engajamento, uma participação. Toda tendência ao individualismo e ao fechamento é a negação da essência da vocação humana e cristã. O ser humano, de fato, foi criado para a sociabilidade, para a comunhão. O cristianismo desde o início se realiza na busca pela fraternidade. Por isso a vocação cristã é um convite a amar, a servir e a relacionar-se com o próximo na fraternidade. Vocação é comunicação, é tomar parte ativa na construção do Reino. Não é isolamento, busca de satisfações, de realização pessoal, ou de projetos pessoais, mas é o dar a vida pela defesa da vida, como o bom pastor que dá a vida por suas ovelhas (cf. Jo 10,11).
            A inspiração para a vida fraterna parte da essência de Deus que é trino - Pai, Filho e Espírito Santo. Deus é o nosso modelo de comunhão e Ele nos chama para participar da sua vida sendo um com Ele. Cada vocação está ligada à vontade do Pai, à missão do Filho e à obra do Espírito Santo. Assim a vivência da vocação pessoal se dá necessariamente na comunidade que vive o amor fraterno. Diz Jesus: “Como meu Pai me ama, assim também eu vos amo. Permanecei no meu amor. Se observardes os meus mandamentos, permanecereis no meu amor, assim como eu observei o que mandou meu Pai e permaneço no seu amor (...) Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei” (Jo 15,9-10.12). Santa Terezinha compreende esse aspecto fundamental do ensinamento de Jesus e diz que o amor tem, em si, todas as vocações, que o amor é tudo, abraça todos os tempos e lugares, e que o amor é eterno. Então ela exclama: “Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor”.
 Para que nossa comunidade possa crescer no amor, Jesus nos dá o seu perdão, e nós, pelo amor, somos salvos. Uma vez mulher pecadora teve os seus pecados perdoados por Jesus, então ela veio até ele, começou a chorar sobre os seus pés, secou com os seus cabelos e derramou um frasco de perfume sobre eles. Um fariseu criticou a atitude da mulher e criticou Jesus por deixá-la se aproximar e tocar nele porque ela era pecadora. Então Jesus contou uma parábola para dizer que quem é muito perdoado ama mais e quem é pouco perdoado, ama menos (cf Lc 7,36-50). Para Deus não há nenhum tipo ou quantidade de pecado que não possa ser perdoado para que cresçamos no amor. O Senhor sempre vai nos ajudar a amar e a amar cada vez mais.
O amor é o caminho que precisamos tomar, o Senhor quer isso de nós. Mesmo que consigamos evitar todos os pecados deste mundo, “se não tivermos amor nada nós somos”, diz São Paulo no seu hino da caridade (1Cor 13,1-13). Acredito que seja impossível, para nós, evitarmos ser pecadores, mas nós podemos sim trilhar o caminho do amor. Quando aquela mulher fez aquela atitude de demonstrar o amor que ela sentia por Jesus, Ele disse ao fariseu, “eu te declaro: os muitos pecados que ela cometeu estão perdoados porque ela mostrou muito amor”. Nós podemos lavar os pés dos nossos irmãos e irmãs com as nossas lágrimas, podemos enxugar com os nossos cabelos e derramar neles o nosso melhor perfume, esse é o caminho possível para nós, e o caminho que o Senhor mais deseja que nós trilhemos.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Bibliografia: José Lisboa Moreira de Oliveira - Qual o sentido da vocação e da missão?

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