Onde está a nossa alegria?


O que verdadeiramente alegra o seu coração? São João Batista tinha claro para si que a sua alegria era ver o crescimento do Cristo. Quando ele soube que as pessoas que seguiam Jesus estavam aumentando a cada dia, ele exclamou: “Esta é a minha alegria, e ela ficou completa. É necessário que ele cresça, e eu diminua” (Jo 3, 29-30). Todos temos algo que nos faz sentir realizados, que nos faz ter ânimo de viver. Mas uma coisa é certa, temos que aprender com João Batista, que não coloca a alegria dele em si mesmo. Acredito que aí está o segredo da alegria, saber depositar a própria alegria em algo que está além de si mesmo. Acredito muito que uma pessoa se realiza mais, quando a sua vida não está centrada em si, quando não fica presa à sua própria vida e é capaz de doá-la para um projeto maior. Assim como fez João Batista, que depositou sua alegria no crescimento do Cristo que é a realização da promessa, e assim como fez Jesus que doou a sua vida para o projeto do Pai.  
Jesus veio pregar a chegada do Reino de Deus e ele viveu para essa causa, que está presente no meio de nós como fermento na massa, como sal que dá sabor e este Reino cresce a cada dia. Os sinais do Reino são, com certeza, os sinais do amor, da fraternidade, da solidariedade. Jesus é o grande enviado pelo Pai para comunicar e revelar o seu plano de amor, libertando as pessoas, denunciando as injustiças e anunciando a vida nova. Jesus reune os pobres e os humildes, denuncia a falsa devoção dos fariseus, as falsas leis dos doutores que queriam apenas dominar o povo e anuncia o advento de um novo tempo. Ele é um servidor que lava os pés dos seus discípulos, contrariando totalmente a concepção do messias esperado. O poder de Jesus é um poder do serviço e do amor que cria a justiça, a fraternidade e a paz. Seus milagres ou sinais são a manifestação da chegada e da presença do Reino de Deus. Tais sinais precisam ser acolhidos com fé. Até porque, muitos dos milagres de Jesus são respostas à fé das pessoas. O Reino de Deus significa essencialmente a libertação integral realizada por Deus, trazendo vida verdadeira para as pessoas concretas. Não se trata apenas de uma salvação espiritual, mas de uma redenção que atinge o ser humano em todas as suas dimensões.
Em nossa comunidade, o Cristo deve crescer e nós devemos diminuir, não podemos ocupar o lugar do Cristo. E Ele cresce quando o seu Espírito encontra espaço no coração das pessoas, quando estas se deixam conduzir e se transformar por Ele, mesmo se não professam a fé. Pois Jesus envia seu Espírito sobre todos e com todos faz o seu caminho. É necessário apenas a abertura de coração. Assim como um vaso nas mãos do oleiro, estamos nas mãos do Senhor, pois a comunidade que se deixa moldar pelo Evangelho é como um vaso nas mãos do oleiro que é transformada. Deus a enche de vida e faz brotar nela o amor, o seu Espírito. A primeira atitude é estar nas mãos do Senhor e deixar com que Ele faça o que desejar fazer. Não podemos nos enrijecer e impedir que Ele faça de nós o que desejar. E uma comunidade cristã precisa deixar-se modelar pelo seu Senhor. A alegria de cada membro deve ser o crescimento do corpo místico do Cristo no mundo, o crescimento do Reino.  Porque quando a alegria não está no que acontece com si mesmo, mas no que acontece com o Cristo, com o corpo místico que é a Igreja, cada pessoa terá alegria, mesmo que se veja cada vez menor, porque, como João Batista, somos a voz que clama no deserto, que prepara o caminho do Senhor. Nós preparamos o caminho, não somos o caminho, quem é o caminho, quem é a verdade e quem é a vida é Jesus. Ele precisa crescer e essa é a nossa alegria.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Bibliografia: José Lisboa Moreira de Oliveira - Qual o sentido da vocação e da missão?

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