Em comunidade, perseverantes na missão


A dimensão missionária é a essência de toda vocação, ela é a concretização na história do chamado divino. Mas o que é missão? Na maioria das vezes é presença silenciosa, não é fazer barulho simplesmente. É no silêncio que se faz solidariedade serviço, diálogo, palavra franca, exemplo de vida e até martírio. Nossos vocacionados e vocacionadas precisam saber disso, pois são tentados constantemente a confundir missão com o exibicionismo. A missão, quando verdadeira, é presença discreta junto ao povo, acompanhando pacientemente o ritmo da comunidade, participando plenamente de suas ânsias e contribuindo para a superação dos seus problemas.
Entendo que missão não é apenas um momento de anúncio explícito da Palavra de Deus, mas é um vínculo com o chamado do Senhor para toda vida, os nossos trabalhos missionários não podem ser avaliados com o critério de número de pessoas atendidas ou pelo tamanho e pelo sucesso dos templos que construímos, pois esses critérios são influências dos valores da sociedade e não da revelação de Deus através de Jesus Cristo, que se interessa por todos, cada um em particular, que se interessa por uma ovelha perdida entre as cem que ele possui. O único êxito que devemos buscar alcançar, em nossa ação missionária, é o do servo a quem seu senhor disse: “Servo bom e fiel; foste fiel no pouco, por isso te confiarei mais” (Mt 25,21). Nesse sentido, o verdadeiro êxito é a fidelidade, é a perseverança naquilo que o Senhor nos confiou, não importa se é pouco ou se é muito, mas o que importa é se estamos sendo fiéis. A fidelidade e a perseverança são virtudes do verdadeiro missionário.
Uma comunidade cristã precisa ser perseverante na sua vocação. O evangelista João apresenta constantemente em seus escritos o tema da perseverança: “Eu Sou a videira, vós os ramos. Aquele que permanece em mim, e Eu nele, esse dará muito fruto; pois sem mim não podeis realizar obra alguma.” (Jo 15,5). Muitos cristãos foram martirizados pois sabiam que sua fidelidade e sua perseverança era alimento para toda comunidade, sabiam e viviam esse grande valor. Precisamos rezar constantemente pedindo a Deus a graça de permanecer e se dedicar à missão que Ele nos confiou.
 O missionário é perseverante na sua vocação porque ele sabe que o Evangelho nos salva, que o Evangelho gera em nós a vida. O missionário sente que a palavra de Deus precisa ser anunciada. Mas não somente pelo anúncio explícito. O Evangelho pode chegar de diversas formas, às vezes não da forma como esperamos que ele chegue, pois é como fermento na massa, como sal, como semente que cresce sem que saibamos como. O importante é semear de forma perseverante sem se preocupar com a colheita, ela não é imediata, tem o tempo certo. A comunidade que acolhe o Evangelho e que o coloca no centro da vida, com certeza  se transforma, pois ele lança raízes no modo de ser da comunidade, lança raízes na vida de seus membros e brota, trazendo pássaros que trazem outras sementes e a vida fica abundante nela.
Assim percebemos que a missão depende da comunidade e a comunidade depende da missão. Uma não existe sem a outra, é preciso recuperar essa perspectiva comunitária e missiológica. Com muita frequência, a missão cristã é vista como uma questão de iniciativa individual em que participam uns poucos entusiastas que se sentem chamados por Deus a cruzar fronteiras para compartilhar o evangelho. Mas ela é essencialmente comunitária e ninguém consegue permanecer fiel à missão se não estiver apoiado em sua comunidade.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.
Missionário Redentorista


Bibliografia:
René Padilla - O que é missão integral?
José Lisboa Moreira de Oliveira - Qual o sentido da vocação e da missão?

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