Voltar às fontes


Muitos cristãos vivem a religião mas não se sentem discípulos de Jesus, não se sentem seguidores dele. Pois para ser seguidor de Jesus, é preciso ter como centro da vida o Reino de Deus, assim como Jesus tinha. Para ser seguidor de Jesus, os primeiros de nossa atenção devem ser os marginalizados, os feridos, os pobres, assim como eram os de Jesus. Se a construção do Reino não é o centro de nossas vidas, e se a nossa atenção e preocupação não está voltada para os que são considerados os últimos de nossa sociedade, nós necessitamos de conversão ao Espírito do Senhor. Se não sabemos ver a vida como via Jesus, com a compaixão que Jesus olhava as pessoas, nós estamos cegos. Se não sabemos escutar a voz dos que sofrem, se vivemos indiferentes e não escutamos as angústias dos oprimidos, nós e nossas comunidades estamos surdos, não entendemos o Evangelho e não somos capazes de anunciar.
Em nossas comunidades muitas vezes não há a preocupação de fazer os fiéis encontrarem o caminho do discipulado, de despertar seguidores de Jesus que querem continuar o seu projeto de tornar esse mundo mais humano. Nos preocupamos em manter as estruturas internas da paróquia mas não estamos formando verdadeiros discípulos e discípulas de Jesus. Assim notamos que mesmo depois de vinte séculos de cristianismo, até mesmo a própria Igreja precisa de purificação e conversão, todos nós cristãos necessitamos de um coração novo.
É necessário, então, voltar às raízes, às primeiras experiências fundantes do movimento cristão. Pois, segundo o teólogo Pagola, o movimento inspirado e querido por Jesus foi se diluindo com o passar do tempo e passamos a viver um cristianismo decadente e distante do movimento iniciado e desejado pelo Senhor. Para voltarmos às fontes da vida Cristã, precisamos nos aproximar de Jesus, para ouvir a sua palavra, para perceber os seus gestos e ações e para conhecê-lo profundamente. É preciso descobrir uma maneira de se relacionar com Jesus de forma profunda.
Muitas vezes nossas comunidades estão se relacionando com um Jesus mal conhecido, um Jesus que não tem algo interessante para as pessoas de hoje, um Jesus apagado, que não chama, que não toca os corações. Necessitamos de cristãos que vivam a partir de Jesus e de seu projeto, que sintam que pertencem a Jesus e que por isso estão na Igreja e também porque querem algo mais de Jesus. Necessitamos, em nossas paróquias, de fiéis que, com suas palavras e seu jeito de ser, revelem Jesus, nosso mestre e Senhor. Isso significa recuperar a nossa identidade de discípulos, de seguidores de Jesus. Se não recuperamos uma relação mais viva, mais entusiasmada, mais apaixonada com Jesus, não poderemos conhecer bem qual é a nossa tarefa e a nossa missão.
O Papa Francisco afirma que o único motor que pode nos levar até Jesus é recuperar o frescor original do Evangelho. O Evangelho é, em todas as épocas, o que faz viver a Igreja, é o princípio da vida para ela, por isso é necessário recuperar, em nossas paróquias, o protagonismo que teve o Evangelho nas primeiras comunidades cristãs.
Existem pessoas nas nossas comunidades que nunca tiveram uma intimidade com as palavras de Jesus, que, segundo o Evangelho de João, são Espírito e Vida. Nesse sentido, sem o conhecimento da Palavra, a força do Evangelho estaria bloqueada, sem caminho e sem espaço para encontrar-se com os homens e as mulheres de hoje. É preciso dar ao Evangelho uma oportunidade de nos levar a ter um contato direto com Jesus para responder às perguntas e aos problemas de hoje. Nos Evangelhos, estão recolhidos toda a memória e todo o impacto causado por Jesus e sua mensagem a um povo. É preciso conhecer essa experiência para encontrar-se com o Espírito de Senhor, com a vida de Jesus, deixando se tocar e se transformar por Ele.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado na palestra do teólogo José Antônio Pagola - “Volver a Jesus”


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