Santidade é Amar


O Concílio Vaticano II nos devolveu a certeza de que todo ser humano é vocacionado à santidade. E essa santidade está profundamente relacionada com o cotidiano e com a prática concreta da vida de cada dia. Para ser santa, a pessoa não precisa fugir do seu estado de vida ou da sua profissão. A santidade é vivida exatamente através do compromisso com a sua condição humana e cristã. A vocação à santidade consiste na resposta ao apelo divino por meio do seu estilo de vida. (cf. Lg 39) Aqueles e aquelas que experimentam a ternura e a misericórdia do Pai são convidados a comunicar essa experiência através do próprio modo de viver. Um estilo de vida que faz com que a beleza do amor seja visível para todos.
            A vocação à santidade, dentro da perspectiva bíblica assumida pelo Vaticano II e reafirmada agora pelo Papa Francisco, não tem aquelas conotações moralistas de uma ascese que nasceu de um certo espiritualismo de fuga. O mais importante na santidade é o dom, é a graça. Por isso, a Igreja e nela, cada pessoa, participa da santidade apenas respondendo ao dom recebido de forma totalmente gratuita. A santidade é um presente de Deus! A Igreja é santa porque Deus é Santo. Desse modo, o santo ou a santa é aquela pessoa que fez a experiência de ter sido amada por primeiro e que responde à iniciativa divina amando os demais irmãos e irmãs, tornando-se, assim, anunciadora dessa maravilhosa dádiva e desse carisma que ultrapassa os demais.
O caminho principal da santidade é, sem dúvida alguma, aquele da prática do amor, da caridade, da compaixão. O que não é algo tão simples, pois viver a compaixão significa uma verdadeira revolução no mundo, uma nova forma de viver, é outra dinâmica introduzida na relação uns com os outros. O modo de vida que parte da compaixão faz com que tudo se oriente para possibilitar uma vida digna para os últimos, os mais vulneráveis e indefesos. A compaixão é o modo de viver no Espírito, pois Deus quer uma vida mais digna e feliz para todos, começando pelos últimos. Por isso a conversão do coração nos leva a aprender a viver de maneira diferente, nos move para termos compaixão para com os que sofrem, defender os mais vulneráveis, acolher incondicionalmente a todos e lutar pela dignidade de todas as pessoas.
A vocação de toda pessoa humana é um convite a amar. Nós somos criados no amor e para o amor, pois Deus nos amou primeiro. Assim o amor é o distintivo da vida cristã e da santidade. A partir do amor todas as outras coisas se tornam apenas meios, pequenas trilhas que levam à vivência concreta da santidade, que é a caridade.
Responder ao chamado à santidade é assumir o compromisso de ser presença que ajuda na transformação do mundo. A santidade é um convite a “fazer a diferença”, é ser sal, fermento e luz.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado nos livros:
José Lisboa Moreira de Oliveira - Qual o sentido da vocação e da missão?
José Antonio Pagola - Recuperar o Projeto de Jesus

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