Proposta Espiritual de Santo Afonso


Hoje eu gostaria de falar um pouco sobre a proposta Espiritual de Santo Afonso, o fundador dos Redentoristas. Um dos maiores desejos dele é nos ajudar a sermos capazes de olhar para dentro de nós mesmos e ali encontrarmos Deus. Ele ensina que é necessário descer ao fundo de nosso coração, mergulhar na verdade da própria vida e não enganar a nós mesmos.
Afonso diz que com Deus não precisamos ter medo de sermos sinceros; podemos admitir os nossos erros, as nossas limitações e as nossas fraquezas; sermos humildes e aceitarmos a própria verdade. Se muitas vezes nos deparamos com a dificuldade de rezar é porque ainda nos falta essa sinceridade, é com ela que vamos conseguir nos entregar. Quando não temos a atitude humilde de nos reconhecermos pecadores, enganamos a nós mesmos. “A falta de humildade abafa a oração autêntica e nos impede de aprofundar nossa relação com Deus”.
A oração é capaz de fazer a própria pessoa se conhecer melhor, se aceitar e se perdoar. O encontro com a verdade de si liberta a pessoa das fantasias que camuflam a realidade e contribui para a auto aceitação.  Ter esta experiência é ter o contato com o barro que somos nas mãos de Deus. Em outras palavras, admitir-se limitado e pecador nos ajuda a desejar, de forma mais intensa, estar mergulhados na misericórdia do Senhor – que nos liberta, nos cura e nos transforma. A pessoa que não ora se endurece, não se conhece, não se aceita como barro e não se deixa modelar.
“Tem piedade de mim, Senhor, porque sou pecador” (Cf. Lc 18,13) é a oração de quem se reconhece e se aceita como barro nas mãos do oleiro; ela nos dá a paz. Em um comentário sobre essa oração do Evangelho de São Lucas, o teólogo Antonio Pagola deixa o seguinte recado para os seus leitores: “Quando vocês se virem julgados pela Lei, sintam-se compreendidos por Deus; quando vocês se virem rejeitados pela sociedade, saibam que Deus os acolhe; quando ninguém lhes perdoar sua indignidade, sintam o perdão inesgotável de Deus. Vocês não o merecem. Ninguém de nós o merece. Mas Deus é assim: amor e perdão. Vocês podem desfrutar e agradecer este amor e este perdão. Não se esqueça nunca de que: de acordo com Jesus, só saiu purificado do templo aquele publicano que batia no peito dizendo: “Ó Deus, tem compaixão deste pecador.
Segundo Santo Afonso, é Deus que vem ao nosso encontro, é Deus que nos procura, é Deus quem se rebaixa para se tornar próximo de nós. Ele procura cada um de nós como o pastor faz com a ovelha perdida (cf. Lc 15,4-7). Santo Afonso insiste para que, em nossa oração, possamos contemplar e perceber que Deus ama a cada um como se fosse a única pessoa do mundo e que simplesmente só precisamos abrir o coração. É preciso conversar com Deus como alguém que conversa com seu amigo íntimo, sem precisar esconder nada, e que não existe nenhuma circunstância em nossa vida que não possa ser confiada a Deus, pois Ele é nosso amigo afetuoso que não nos condena, mas que nos entende e quer nos ajudar. Deus é alguém com quem podemos falar sem constrangimento e quantas vezes quisermos. Nada precisa ficar escondido. Mesmo quando se trata de algo que nos envergonhamos, Deus quer nos ouvir para nos ajudar.  O pecador quando se depara com os próprios pecados deve utilizá-los como motivo para se aproximar ainda mais do Senhor, pois esse é desejo de Deus revelado pelo próprio Jesus.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.

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