Orar e seguir Jesus


A oração é essencial na vida cristã, porque onde há fé verdadeira, há oração. E onde não há oração, o Evangelho perde o seu sabor, pois ele deve ser experimentado como uma relação com o próprio Jesus, uma relação de amizade que faz brotar em nós a fé. Como nos relata o evangelista João, com apenas três dias de convívio com Jesus (cf. Jo 2,1), os discípulos já acreditavam nEle (Jo 2,11) e tinham uma fé que aumentava a cada dia, pela simples razão de que entre os discípulos e Jesus surgiu uma amizade, um interesse mútuo, uma presença, um diálogo. Eles decidiram seguir Jesus: isso é fé! E eles estabeleceram uma relação pessoal com o Senhor: isso é oração!
O teólogo José Maria Castillo, afirma que a relação pessoal (oração) e o seguir Jesus (fé) são inseparáveis. Onde há fé autêntica tem que haver oração. Assim compreendemos que a fé cristã não é simplesmente a aceitação de uma ideia, mas, sobretudo, é entrar em um relacionamento com Deus e aceitar uma pessoa, a pessoa de Jesus. Não adianta saber e acreditar no catecismo, é preciso aceitar Jesus como norma e verdade para a própria existência e manter com Ele uma relação pessoal profunda.
Jesus de Nazaré quis que seus seguidores assumissem o compromisso em favor da justiça. Daí sua defesa dos pobres e marginalizados e seu desejo de implantar o Reino de Deus o quanto antes, que é uma sociedade fraterna, humana e solidária. E esse profeta da humanidade transformada passou também muitas horas em oração e viveu na intimidade e no diálogo com seu Pai do céu.
            Mas o que acontece é que, hoje, alguns que se propõem a seguir Jesus não vivem essa dinâmica de oração e seguimento do Senhor: ou põem todo o seu empenho na oração e não percebem como estão distantes do seguimento de Jesus, o que exige compromisso em favor da justiça, ou, no extremo oposto, não pensam senão no compromisso com o Evangelho e com os pobres e não buscam uma vida intensa de oração. Em outras palavras, há na Igreja muita gente fidelíssima à oração, mas pouco sensível aos problemas que atingem os nossos semelhantes. Trata-se de pessoas pouco ou nada críticas, que não exercem o profetismo suscitado por Jesus em seus seguidores.
No outro extremo, estão os que transformam o cristianismo em ideologia, em que a fé passa a consistir, para essas pessoas, um programa de transformação social e política, de maneira que a fé se reduz a isso. Mas carece do encontro pessoal com Jesus, carece da amizade e do diálogo com Ele.
Seguir Jesus é entrar na luta para construir o Reino de Deus, que segundo o teólogo Castillo, significa abraçar a causa dos pobres e marginalizados, conflitando contra o sistema vigente e, junto a essa luta, é preciso uma vida intensa de oração.
Como viveu Jesus, que lutou pela justiça e pela liberdade até a morte por essa causa e passou noites em oração, relacionando-se com o seu Pai do céu, assim deve ser o cristão: viver em intensa oração, com intimidade com Deus, mas seguindo Jesus, lutando para construir o Reino de justiça, de solidariedade e de paz nesse mundo.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de José Maria Castillo - Sete Palavras

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