O Projeto de Jesus


Qual seria o núcleo da mensagem de Jesus? O que Ele mais queria no mundo?
Sabemos que Ele se dedicou em curar a vida das pessoas, curar a convivência social e oferecer o perdão de Deus a todos os seus filhos e suas filhas. Estas linhas de força configuram o projeto de Jesus de abrir caminhos para o “Reino de Deus”, um mundo mais digno e mais são, mais humano e mais feliz, conduzindo a todos para a plenitude da vida. O povo viu, em Jesus, um grande profeta que pôs em marcha um projeto renovador: uma maneira nova de entender e de viver a vida.
O seu anúncio é: Deus está a introduzir-se na história humana. “O Reino de Deus está próximo. Convertei-vos e acreditai na Boa Notícia”. O coração da sua mensagem, a paixão que animou toda a sua vida e também a razão pela qual foi morto é o “Reino de Deus”. Esta mensagem comunica que Deus quer construir juntamente conosco uma vida mais humana, um mundo mais justo e feliz para todos, começando pelos últimos; por isso nos convida à conversão, pois temos de mudar a maneira de pensar e de agir: temos de viver e acreditar nessa Boa Notícia.
Esse projeto do Reino de Deus não é uma religião. Vai mais além das crenças, dos preceitos e dos ritos de qualquer religião. Jesus mostra, com a sua vida e com as suas parábolas, como atua Deus e como seria a vida se houvesse gente que agisse como Ele. Podemos dizer que, para Jesus, o “Reino de Deus” é a vida tal como Deus a quer construir. E no seu Reino, Deus não quer poder, riqueza e honras, mas justiça e compaixão para os mais pobres, os últimos, os excluídos, os indefesos. Assim, percebemos que, para entrar nesse Reino, é preciso “sair” de outros domínios como o reino do dinheiro, do poder absoluto, da violência, da crueldade.
Entrar no Reino de Deus é assumir a compaixão como princípio de ação, como estilo de vida. A compaixão é o modo de ser de Deus, a sua primeira reação perante seus filhos. Deus olha-nos com compaixão; os primeiros que escutaram a parábola do “pai misericordioso” ficaram impressionados. Ficaram se perguntando se Deus realmente era assim como Jesus apresentava. Um Pai que não guarda para si mesmo sua herança, que não vive obcecado pela moralidade de seus filhos, que respeita as decisões deles e que, ainda que o firam, fica sempre a espera deles. O Pai que corre ao encontro do filho que abandonou a casa, o abraça e o cobre de beijos e organiza para ele uma festa para comemorar a sua volta.
Jesus apresenta um Deus que orienta a história para uma festa final em que,  por fim, poderemos celebrar todos juntos a vida e a libertação de tudo o que escraviza e degrada o ser humano. Jesus fala de um banquete abundante, fala de música e danças, de filhos perdidos que voltam para casa deixando pra trás a vida indigna, de irmãos e irmãs chamados a aceitar-se. Deus nos olha com ternura e quer o melhor para nós.
Como discípulos de Jesus, continuadores do seu projeto, devemos anunciar a misericórdia e juntos lutar por um mundo mais justo e feliz para todos. Como Ele ensinou na oração do “Pai-nosso”, o mundo é o Reino do Pai e todos somos irmãos.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de José Antonio Pagola - Recuperar o Projeto de Jesus

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