O ministério do Espírito


O título de “profeta” convém perfeitamente a Jesus, pois ele se utiliza da palavra para tocar os corações. “Ele fez da minha boca uma espada afiada” diz o profeta Isaías (Is 49,2). A palavra dos profetas tinham dois objetivos: denunciar o mal e anunciar a nova aliança. No caso de Jesus, a missão profética tem novo objetivo. Ele não anuncia algo que ainda virá, mas algo que já começa com Ele. Ele é a boa notícia, a nova aliança, e Ele é a própria palavra de Deus que continua sendo anunciada pelos seus discípulos.
Quem recebe as palavras de Jesus nasce de novo, é “o nascer de novo” que Jesus propõe a Nicodemos (cf. Jo 3,5-6). A vida nova consiste em viver as palavras. Na conversa de Jesus com a Samaritana, Jesus prometeu a ela uma água viva, essa água são as palavras que procedem dEle (cf. Jo 4,10). O Ato de receber o Espírito comunicado pelo anúncio da palavra é o culto verdadeiro que conduz à vida (cf. Jo 4,23s). Entendemos isso quando Jesus diz: “As palavras que eu vos tenho dito são espírito e vida” (Jo 6,63). E quando diz que “Aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, que lhe dá o Espírito sem medida” (Jo 3,34). Após a ressurreição, Jesus apareceu aos discípulos e disse-lhes: “A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim eu vos envio”. Após essas palavras, soprou sobre eles e lhes disse: “Recebei o Espírito Santo” (Jo 20, 21-22). Jesus os enviou para que levassem a Palavra para o mundo. O Espírito é dado para anunciarem as palavras que contém a vida, pois elas têm o poder de libertar o ser humano de seus pecados.
São Paulo, em suas cartas, escreve que a missão do apóstolo é anunciar o evangelho, anunciar a boa nova. O Evangelho não propõe imposições, nem mandamentos, nem cerimônias, apenas abre as portas às pessoas marginalizadas, traz uma mensagem de salvação aos que estavam de fora e se sentiam rejeitados, proclama a libertação e o perdão dos pecados. Ele prega que Jesus salvou a todos, trata-se de uma mensagem de confiança. Por isso entendemos porque o evangelho foi bem recebido pelos pecadores, pelos pagãos, pelos ignorantes e por todos os desprezados e rejeitados pela religião judaica. Este é o ministério do Espírito: transformar os corações com a palavra que Ele escreve não nos livros, mas no coração daqueles que renascem ao conhecerem o Evangelho. Para muitos, tal ministério é pura loucura, pois preferem ensinar um senhor severo e exigente, ao invés de abrir caminhos para a esperança e a confiança, e anunciar um Pai de perdão e ressurreição.
No entanto, o ministério do Espírito é o único que procede de Jesus Cristo. A comunidade cristã só surge em resposta a um evangelho que ensina que Deus é o Pai dos pobres e libertador dos humilhados. Pois o Evangelho é aquela palavra que desperta vida, estimulando a confiança e a audácia. Os pecadores tornam-se santos, generosos, dedicados e nascem para a esperança. Os desanimados começam a trabalhar.
A partir de tal experiência é que se pode compreender qual a força do Espírito: é aquela força que se revela no Evangelho para suscitar comunidades. O Evangelho é palavra que vai buscar o homem no fundo do seu desânimo e da sua incredulidade para lançá-lo na obra da construção do povo de Deus, construir este povo é o ministério do Espírito.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de José Comblin - O Espírito no mundo

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