O Impacto do Evangelho


Os Evangelhos foram escritos por pessoas que acreditaram em Jesus. Os evangelistas não foram cronistas que nos relatam uma história. Antes de tudo, eles eram pessoas que acreditaram e que quiseram transmitir a sua fé por meio da escrita. Quando estamos com os Evangelhos nas mãos, não estamos simplesmente diante de dados que aumentam nosso conhecimento. Os Evangelhos são convicções que provocam o nosso viver. Portanto, o que interessa ao crente que lê não é primeiramente o dado histórico que neles se apresentam, mas a mensagem que deve marcar o seu próprio modo de viver no mundo.
A relação com Jesus deve ir além de saber sobre Ele para não ficar somente na superfície. Quem se relaciona verdadeiramente com Jesus mergulha numa vida “religiosa” e recebe um impacto no seu modo de ser. Diferentemente da história, que é baseada nos conhecimentos que temos sobre o que ocorreu em tempos passados, a religião se fundamenta nas crenças, nas convicções que dão sentido à vida e que determinam o próprio comportamento. Segundo o teólogo Maria Castillo, a fé não consiste somente em ter certeza de uma série de conhecimentos ou verdades, mas em ter convicções que produzem um comportamento, uma forma de viver.
Nesse sentido, a nossa fé não está interessada somente no passado. A simples memória do passado não é fé. Conhecer o passado é ter um saber, mas para ser tomado pela fé é preciso fazer do conhecimento um modo de viver, a palavra precisa ser encarnada.
Vamos supor que uma pessoa que lê ou escuta sobre o sermão da montanha assuma esse evangelho como verdade e se entusiasme, mas não direcione a sua vida segundo o que ouviu de Jesus, porque as palavras de Jesus não se tornaram convicção na vida da pessoa, o que realmente ela está convencida são os seus interesses, não é a pregação de Jesus. O que Jesus disse no Sermão da Montanha e o que isso significa para essa pessoa vêm a ser mero conhecimento histórico. Um conhecimento que está em sua cabeça, mas não tem nenhuma influência em sua vida. O que falta para essa pessoa é seguir Jesus. E para seguir Jesus é preciso estar aberto para mudar de vida.
Os discípulos acreditaram em Jesus, não porque ouviram algumas aulas magníficas sobre cristologia, ou por terem aprendido conceitos abstratos, mas sim, porque se puseram a segui-Lo, a viver com Ele e, como Ele, deixaram suas casas, suas famílias, compartilhando sua forma de vida. O conhecimento e a forma de viver precisa ser uma só coisa.
A conclusão é que o que caracteriza uma pessoa de fé não é o seu conhecimento sobre a pessoa de Jesus, mas sim sua fé nEle. E é fé que os Evangelhos nos transmitem, não é meramente conhecimento, mas, sobretudo, crença em Jesus. Além disso, o conhecimento que alcançamos sobre Jesus deve ser um conhecimento que toca no acontecer da nossa vida. Isso quer dizer que os Evangelhos não podem ser somente uma recordação de algo estacionado no passado, nos induzindo a uma passividade, um sossego e uma calma diante das situações duras que a vida nos apresenta. Uma recordação assim é uma escapatória para pessoas temerosas, é uma cristologia dos satisfeitos. Os Evangelhos devem ser para nós uma recordação, que nos torne responsáveis perante o sofrimento das vítimas da história, algo que mexa com o nosso modo de ser, nos retirando do comodismo para seguir Jesus pelos caminhos de hoje, caminhos que nos levam para o meio dos feridos, dos leprosos, dos excluídos e dos marginalizados de hoje.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de José Maria Castillo - Jesus: A humanização de Deus

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