O Ensinamento de Jesus


A partir de Jesus, temos uma revelação sobre quem é Deus, pois Jesus é o revelador de Deus. A questão maior em torno de Jesus é saber isto: que Ele veio para nos dizer e revelar algo sobre Deus que não sabíamos e que não podemos saber por nós mesmos. E o Deus revelado por Jesus, não tem nada a ver com um Deus violento e cruel. E, se queremos realmente aprender com o Senhor, é preciso desconsiderar o que já sabemos sobre Deus, pois o que sabemos e o que falamos, na verdade, não é Deus, são ideias que fazemos dEle. Só Jesus viu o Pai, e quem vê Jesus, vê o Pai. Ele veio para nos ensinar e fez isso por meio de sua vida, das suas palavras e dos seus atos.
Uma revelação importantíssima que Jesus oferece, para conhecermos a Deus, é o fato que Ele nunca excluiu ninguém de sua amizade, nem da esperança, nem do sentido da vida e da salvação anunciada e prometida por Ele. Jamais Jesus excluiu pagãos, nem romanos, nem samaritanos, tampouco excluiu os pecadores, com os quais comia e convivia sempre. Nem sequer excluiu Judas do seu grupo mais íntimo. Tal revelação e mensagem de Jesus refletiu no grupo de seus seguidores, no grupo dos primeiros cristãos. A adesão a Jesus se tornou o motivo para o encontro dos seres humanos, se tornou motivo para o acolhimento mútuo, não importando de onde vinham ou a que raça pertenciam. O encontro com o Senhor, que é um encontro com um ser humano afetuoso, unia a todos os que se aproximavam dEle.
Porém, com o passar do tempo, isso tem se perdido, pois foi se introduzindo, na relação com Cristo, motivações relacionadas a observâncias e a cerimônias utilizadas para distinguir e para dividir e que até mesmo provocaram confrontos. E, assim, o encontro que unia a todos passou a degenerar em direção à submissão a certas verdades, normas e rituais religiosos. O centro da vida do cristão passou a não ser mais o Cristo, mas uma busca de auto salvação por meio do cumprimento de regras, normas e doutrinas. O problema não é seguir normas e doutrinas, mas elas não podem servir como pretexto e argumento para produzir a divisão e a exclusão. Um ensinamento que discrimina negativamente não pode vir do Deus que se define como amor, bondade e justiça.
A palavra da Igreja deve nascer do amor real às pessoas. Deve ser próxima, acolhedora, capaz de acompanhar a vida sofrida do ser humano. Precisamos de uma palavra mais livre da sedução do poder e mais cheia do Espírito Santo. Um ensinamento nascido do respeito e da estima pelas pessoas, que produza esperança e cure as feridas. Seria grave se, dentro da Igreja, escutássemos doutrina de escribas e não a palavra curadora de Jesus, de que tanto precisam as pessoas hoje para viver com esperança. Seria grave se, ao invés de sermos acolhedores como Jesus, formos pessoas que excluem em nome da fé.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de José Maria Castillo - Jesus: A humanização de Deus

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