O Deus de Jesus não é violento


Jesus é o revelador de Deus, e nEle vemos o Deus da misericórdia e da solidariedade. Não é um Deus violento. Trata-se, antes de tudo, do Pai que está sempre  ao lado do filho, que lhe dá a vida, protege e cuida. O Pai que compreende e perdoa sempre, que busca aquele que se perdeu, que acolhe o que se extraviou e até faz uma festa para ele. Além disso, Ele é o Pai que quer “misericórdia e não sacrifícios”, que sente compaixão pelos empobrecidos e abandonados, que acolhe os insignificantes da sociedade, que dá vida aos enfermos e aos mortos, que restitui a liberdade aos cativos e encarcerados.
Jesus luta contra a imagem de um Deus oposto à misericórdia e à solidariedade. Ele se coloca em oposição aos que apresentam uma imagem deturpada de Deus, um Deus que proíbe, ameaça, castiga, discrimina, que não tolera os pecadores e manda apedrejar.
Além de apresentar o rosto do Deus Amor em nossos dias, precisamos também corrigir as imagens falsas que criam de Deus e corrigir as práticas que não condizem com o Evangelho.
Hoje estamos ouvindo vozes de pessoas - que se dizem cristãs - defendendo o uso de armas e buscando a violência como forma de realização de justiça. Alguns querem impor o seu projeto de dominação utilizando a imagem do Deus violento apresentado em algumas páginas do Antigo Testamento. Não entendem e não querem aproximar-se do Deus de Jesus.
 O Deus de Jesus não aceita nenhuma forma de violência, pelo contrário, Ele quis eliminá-la pela raiz. O Cristo declara, nas bem-aventuranças, que aqueles que promovem a paz serão chamados filhos de Deus. Jesus quis arrancar das consciências a imagem de um Deus violento. Sua vida nos faz entender que a forma de Deus cuidar da sua criação não é pela imposição ou pela violência, mas pelo serviço e pela entrega da própria vida. Para Jesus, acolher o reino de Deus significa precisamente eliminar toda forma de violência entre os indivíduos e entre os povos.
A paixão e morte do Senhor mostra que Ele mesmo foi uma vítima desse caminho de violência provocado pelo desejo de dominação de alguns. Jesus foi caluniado, perseguido, torturado e condenado à morte por causa da solidariedade com aqueles que eram desprezados pela sociedade, porque promovia uma relação fraterna entre todos, quebrando todo tipo de dominação econômica, política e religiosa que oprimia e escravizava o povo. Jesus sofreu e morreu lutando contra o próprio sofrimento. E quando Ele nos convida para segui-Lo e também para carregar a cruz, é justamente para entrarmos nessa luta; o caminho é a solidariedade. Precisamos nos aproximar dos que sofrem, dos marginalizados e das marginalizadas, escutar o seu clamor, cuidar de suas feridas e lutar pelos seus direitos.
Seguir Jesus implica quase sempre andar “contra corrente”, em atitude de rebeldia diante de costumes, modas ou correntes de opinião que não estão de acordo com o Evangelho ou que tentam deturpar o seu sentido para dar uma interpretação segundo os interesses dos que exploram e oprimem.
Toda a ação de Jesus procura encaminhar as pessoas para uma vida mais sadia. A palavra de Jesus não está revestida de poder institucional que procura impor sua própria vontade sobre os outros. Sua autoridade nasce da força do Espírito, provém do amor às pessoas e da busca por aliviar o sofrimento, curar feridas. Jesus não produz submissão, infantilismo ou passividade. Ele liberta de medos, infunde confiança em Deus e anima as pessoas a buscar um mundo novo e digno para todos.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro: Sete Palavras de José Maria Castilho

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