Maria - a mãe da libertação


Anunciar o Cristo não é anunciar uma ideia, mas uma pessoa viva e portadora de vida. Assim, Maria é considerada  a primeira apóstola. Ela não falou o Verbo, Ela o encarnou e o entregou ao mundo. São Bernardo ensina que “Evangelizar os outros é como trazer Jesus no ‘útero’ a fim de gerá-Lo”. O que fez a Mãe de Deus deve fazer o apóstolo: gerar Deus para a humanidade e, principalmente, gerá-Lo para os mais pobres. E para isso é preciso ter entranhas de misericórdia, saber consolar, inspirar autoestima, infundir coragem, garantir proteção.
O teólogo Clodovis Boff se pergunta: “O que significa para o ser humano o fato de Maria aceitar a proposta de ser Mãe de Deus?”
Das respostas encontradas, em primeiro lugar, está a revelação de que o ser humano é chamado a ser parceiro de Deus, a ser um aliado. Maria representa a humanidade colaborando ativa e responsavelmente no plano de salvação. E o interessante é que a mulher que foi escolhida para representar toda a humanidade nesse diálogo com Deus era uma mulher pobre. Assim o teólogo afirma que Maria representa, dentro da humanidade, um povo específico, que é o povo excluído da participação social, tratado quase sempre como objeto e que, como Maria de Nazaré, é chamado a responder a Deus e a assumir com Ele sua parte na salvação do mundo.
O teólogo também se pergunta: “Por que Deus escolheu uma mulher pobre para mãe do Messias, o salvador do Mundo?” A resposta está no mistério da opção preferencial pelos pobres que Deus fez na história da salvação e continua fazendo até hoje. Ele se inclina sempre para o mais fraco. Esse mistério resulta em dignidade para os pobres, como proclama Maria de si mesma: “Minha alma glorifica o Senhor… porque olhou para a condição humilde de sua serva… Porque o Onipotente fez em mim grandes coisas” (Lc 1, 46.49). Como à pobre do Senhor, aos pobres deste mundo, Deus concede a vida nova e a salvação.
A festa da Assunção de Maria, ou seja, a sua glorificação, reafirma que os pobres não permanecerão para sempre no anonimato e na humilhação. Esse dogma representa a resposta divina ao grito dos pobres, que ao longo dos milênios ressoou no mundo:
“Deus justiceiro, aparecei! Levantai-vos, Juiz da terra” (Sl 93,1-2).
Os oprimidos não ficarão para sempre na lixeira da história onde os jogaram os grandes da Terra (cf. Sl 112,7). Deixarão um dia de ser esmagados sobre o pó pelos pés dos poderosos (cf. Am 2,7). Mas desse mesmo pó serão levantados e colocados no trono (cf. Sl 112,7-8).  
A devoção a Maria é muito concreta e encarnada, é como que mergulhada nos problemas da vida cotidiana. É só dar uma olhada na sala dos milagres de um santuário mariano. Não é uma expressão de fé puramente abstrata. Quando o fiel recorre a Maria, ele quer que ela visite com ele o concreto de sua existência, que ela veja suas necessidades e que o liberte das situações de perigo. Assim, Maria continua sendo a mulher da encarnação; Ela faz com que, ainda hoje, a Palavra se encarne no seio de nossa existência. Essa devoção não é só um consolo, mas ergue-se, também, como uma expressão religiosa de resistência ao sistema que oprime os filhos de Deus.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro de Clodovis Boff - Mariologia social.

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