Liberdade e disponibilidade



Jesus praticava curas de doentes aos sábados, algo que era proibido pela lei religiosa, pois, para Ele, o sábado foi feito para servir ao ser humano, e não o ser humano para servir ao sábado. Com isso, Jesus mostrou-se como um homem absolutamente livre, arriscando a própria vida ao colocar em prática o princípio de que o bem do ser humano está acima das leis e dos direitos das instituições. Jesus agia dessa maneira porque, para Ele, acima de tudo, estava o bem das pessoas que sofriam na vida. Isso nos ajuda a entender que Jesus concebe uma religião que deve potencializar o ser humano, e que toda instituição deve fazer o ser humano mais livre e mais feliz e não submeter, esmagar e reprimir a vida. Podemos afirmar, como Santo Irineu de Lião, que a glória de Deus é que o ser humano viva.
A liberdade de Jesus tinha um objetivo: realizar a vontade de Deus. Sendo assim, José Maria Castillo escreve que, a razão principal dessa liberdade era a disponibilidade. Jesus quis, a todo o custo, estar inteiramente disponível para a vontade do Pai que ama seus filhos e quer o bem deles, é uma disponibilidade para o bem do ser humano. Isso implica não só uma liberdade perante as instituições, mas uma liberdade diante das pessoas, e diante de si mesmo.
Há uma relação profunda entre liberdade e disponibilidade, pois, na vida, se não estamos disponíveis é porque não somos verdadeiramente livres. A maior parte das pessoas não está disponível para lutar por um mundo melhor para todos, vive comodamente instalada satisfazendo as mil exigências e necessidades que o sistema econômico capitalista cria para ter nas mãos uma sociedade de consumo. Os que são seduzidos por este sistema julgam serem livres e julgam gozarem de todas as liberdades, quando na realidade são escravos do sistema. Um sistema que produz um mundo injusto.
Está claro que nos acomodamos, vivemos um cristianismo burguês que limita-se a crenças religiosas, a práticas cultuais e de piedade que apenas torna uma pessoa encaixada nos bons costumes do sistema. O indivíduo é visto como um bom cristão,  mas amarrado em correntes que o impede de ser verdadeiramente livre e disponível para seguir Jesus.
Diante dessa maneira de ver as coisas, é urgente a necessidade de um cristianismo radical que tem como fundamento e meta o seguimento do Cristo, que luta contra todo tipo de escravidão e de prisão, que é rebelde diante do sistema que oprime o ser humano
A liberdade é uma das aspirações mais fundamentais de toda pessoa. Mas, ao mesmo tempo, é uma das coisas mais temidas na vida. Isso por causa da grandeza  e do risco que a liberdade envolve. É muito mais fácil caminhar segundo as regras aceitas no ambiente comum do que desbravar caminhos diferentes e desconhecidos. Porém, o indivíduo que decide por si mesmo, inspirado pelo Espírito Santo, vive a vocação fundamental, que constitui o chamado a ser imagem e semelhança de Deus: um projeto e uma tarefa para toda a vida.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.


Texto baseado no livro Sete Palavras de José Maria Castillo

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