Cristãos verdadeiros


O que nos faz cristãos verdadeiros é a adesão a Jesus e a seu projeto. As crenças, de modo geral, não mudam a nossa vida. Uma pessoa pode acreditar que Deus existe, que Jesus ressuscitou e em muitas outras coisas, mas não ser um cristão verdadeiro. O mais decisivo não é crer na tradição e nem nas instituições, mas centrar nossa vida em Jesus. Viver uma relação mais consciente e cada vez mais comprometida com o seu projeto de construir o Reino de Deus. É somente essa comunhão crescente com o Senhor que pode transformar nossa identidade e nossos critérios.
Além disso, não basta manter uma observância religiosa rotineira, que não alimenta nossa comunhão vital com Cristo. Sabemos que a alegria de crer e a audácia para evangelizar se alimentam do Espírito de Deus e não do instinto de conservação. Evangelizar é anunciar o Reino de Deus e abrir-lhe caminhos no mundo atual. E o Reino não se edifica somente no interior dos templos, mas ele consiste em construir o mundo tal como Deus quer. Uma fé autêntica implica sempre um profundo desejo de mudar o mundo, de transmitir valores e de deixar o mundo um pouco melhor depois da nossa passagem por ele.
Nesse sentido, o que falta para muitas comunidades cristãs de hoje é aprender a trabalhar por um mundo mais são, mais justo, mais digno e feliz para todos. A mudança decisiva é ir passando de comunidades centradas quase exclusivamente no culto e na catequese para comunidades mais abertas, dedicadas a promover o Reino de Deus no meio dos problemas, conflitos e sofrimentos que se vivem no mundo atual. Não podemos permitir que os sinais sacramentais que celebramos no interior de nossas igrejas substituam os sinais libertadores do Reino que Jesus praticava na vida: sinais de justiça, de denúncia, de compaixão, de curas, de acolhimento, de serviço humanizador.
É dito que a maior tragédia da humanidade é que “os que rezam não fazem a revolução e os que fazem a revolução não rezam”. O certo é que existem pessoas que buscam a Deus sem preocupar-se em buscar um mundo melhor e mais humano. E existem pessoas que se esforçam por construir uma terra nova sem Deus.
Em Jesus, essa divisão não é possível. Ele nunca fala de Deus sem preocupar-se com o mundo, e nunca fala do mundo sem o horizonte de Deus. Jesus fala do “Reino de Deus no mundo”.
Na cena da transfiguração, Pedro pede para fazer tendas no alto do Monte Tabor e para ficarem ali na montanha. Parecia que ele estava propondo continuar curtindo a experiência divina que viveram e não mais descer para a realidade do cotidiano. Porém Cristo não quer que seus discípulos vivam uma fuga religiosa do mundo, pelo contrário, fala para seus discípulos que é preciso descer, voltar para o mundo e sair em missão. Pedro quis instalar-se comodamente na experiência do religioso, fugir da Terra. Mas Jesus chama-os para descer o monte.
A abertura a Deus não pode nunca ser fuga do mundo. Quem se abre intensamente a Deus ama intensamente a Terra. Quem se encontra com o Deus encarnado em Jesus  sente, com mais força, o desamparo e as injustiças sofridas pelo povo. Por isso, a fidelidade a Deus deve nos fazer lutar por uma Terra mais justa, solidária e fraterna.
Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R


Do livro de José Antonio Pagola  - O Caminho aberto por Jesus: Marcos

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