Alegra-te


“Alegra-te” foi a primeira coisa que Maria ouviu quando soube ser a escolhida para uma missão. “Alegra-te” é, então, a primeira palavra de Deus a toda criatura ao lhes oferecer a salvação. Tal alegria, portanto, vem da experiência do “Deus conosco” que Maria acolhe em seu ser, uma alegria que nasce da fé. Assim, todos nós podemos nos unir a Maria para acolher o salvador e, junto com ela, nos alegrar, pois quando Deus é acolhido com fé, Ele nos revela o caminho da felicidade plena. “A felicidade só pode senti-la a alma, e não a razão, nem o ventre, nem a cabeça, nem o bolso” (Hermann Hesse).
Maria, quando soube que sua prima Isabel estava grávida, foi visitá-la, e o encontro delas foi marcado por uma grande alegria. É interessante perceber que quando a vida é fundamentada na fé, traz, como marca, a gratidão a Deus, pois se reconhece a sua ação no cotidiano e o quanto se é cuidado e amado por Ele. Como consequência disso, percebe-se que acontecimentos como a gravidez e o nascimento de um filho não são acontecimentos corriqueiros ou comuns, mas que têm um sentido muito profundo da presença e da manifestação divina, o que nos faz sentir uma gratidão e uma alegria transbordantes. Não é à toa que o anjo, quando anunciou que Maria iria ter um filho, a convidou à alegria: “Alegra-te, ó cheia de graça, pois o Senhor é contigo”. Deus está na origem de cada vida que surge.
Se Deus é a origem da vida, “as mães, portadoras de vida, são mulheres ‘benditas’ pelo Criador: o fruto de seus ventres é bendito. Maria é a ‘bendita’ por excelência: com ela nos chega Jesus, a benção de Deus para o mundo”. Maria é grande, não simplesmente por sua maternidade biológica, mas por ter acolhido com fé o chamado de Deus. Ela acolheu a salvação oferecida à humanidade, por isso ela mesma se tornou a portadora da salvação, porque leva consigo Jesus. Essa é a missão de Maria: levar consigo, para onde for, a pessoa de Jesus. Numa atitude de serviço, ela irradia a Boa Notícia, o Cristo, que ela sempre traz consigo. Portanto, Maria é modelo de evangelização. Todos somos chamados a acolher a salvação e a nos tornarmos portadores dela, e quem é portador da salvação, é portador também da alegria: “Feliz és tu que crestes”.
Vemos, assim, que a fé contém uma força decisiva para enfrentar a vida com alegria e plenitude interior. Mas o que vemos é que a maioria dos cristãos parecem mais viver acorrentados do que libertados por Deus. O que aconteceu? Jesus não é aquele que vivifica tudo? A alegria cristã se apaga quando é cercada por tantas normas e códigos. O convite de Jesus é para sermos felizes e construirmos um mundo onde reina a alegria. O que define um cristão não é o ser virtuoso ou observante, mas é o fato de saber-se amado incondicionalmente por Deus. Saber-se amado é o que dá alegria ao ser humano e, por isso, o próprio Deus, ao demonstrar o seu amor através do seu Filho Jesus, faz a cada um de nós, o mesmo convite que fez a Maria: “Alegra-te”.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.
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 Texto baseado no livro de PAGOLA, José A. O caminho aberto por Jesus: Lucas.


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