A religião a serviço do Reino de Deus


O Papa Francisco chama-nos para uma nova etapa evangelizadora, marcada pela alegria de Jesus. Temos de superar medos, rotinas e vacilações. Temos de juntar esforços e aprender uns com os outros; podemos dar passos eficazes nas nossas comunidades em vista de um novo nível de vida cristã mais inspirada e motivada por Jesus e mais bem organizada para trabalhar a serviço do projeto humanizador do Reino de Deus.  
O movimento de seguidores que Jesus pôs em marcha é muito mais do que uma religião. É uma religião a serviço do Reino de Deus, que anuncia e que promove a justiça. Daí a importância de dar prioridade aos gestos do Reino, introduzindo e atualizando, no mundo, os gestos e as ações de Jesus.
Para realizar esse projeto, temos de começar por fazer uma leitura profética do cristianismo atual e introduzir a verdade de Jesus entre nós; discernir o que há de verdade e de mentira na prática de nossas comunidades; o que há de verdade e de mentira nos nossos templos, nas nossa celebrações e nas nossas atividades pastorais. Não fechar os olhos. Não aceitar passividade. Não nos acomodarmos em um cristianismo sem conversão. Suscitar na Igreja interrogações sobre a nossa verdade mais autêntica.
A História da Igreja de Jesus, seu Senhor, é como a história do povo eleito de Israel com seu Deus: uma história de amor e de infidelidades. A Igreja ama Jesus, porém, quando O esquece, corre atrás de outros amantes. O Coração da Igreja está ocupado muitas vezes por falsos amores: alianças indevidas com diversos poderes, que retiram Jesus e o seu projeto do centro da missão.
Ir em busca da verdade significa também pôr em crise falsas seguranças que nos impedem de escutar o chamado à conversão. É preciso se perguntar se estamos sendo fiéis ou não, purificando cada vez mais a nossa pertença ao corpo de Cristo no mundo, que é a Igreja. Não podemos acreditar ser testemunhas de Jesus só por confessar verbalmente que somos cristãos, é importantíssimo que os nossos atos, que as nossas obras revelem a nossa fé. O mundo precisa ver em nós a ação de Deus no mundo para que outros também creiam.
Temos de sondar a verdade do nosso seguimento. A Igreja que segue Jesus é muito mais do que sua doutrina e suas instituições, ela é a vida doada de cada um na busca de um mundo melhor. Ela está nos muitos anônimos que vivem o Evangelho na sua forma mais radical no cotidiano do lar e da vida social, vivendo a solidariedade com o seu próximo e acreditando que precisa dar a sua contribuição para um mundo melhor para todos.
A Igreja precisa de palavras de alento que despertem a sua esperança, a sua confiança. Não há receitas prontas, porém há caminhos de busca. São necessárias testemunhas novas de Jesus que iniciem caminhos novos na história do cristianismo, pois esse caminho sempre se renova de geração em geração. Não podemos nos acomodar e achar que o cristianismo vivido anos atrás possa responder às necessidades de hoje. Precisamos de paróquias que comecem a sugerir e a preparar, com sua vida e com seus compromissos, tempos novos para a Igreja. Comunidades que levem a Igreja a um nível de qualidade humana e cristã mais autêntico, que sejamos mais sensíveis às dores dos que sofrem, descobrindo, assim, um modo mais vivo de ser Igreja. Talvez isso exija de nós maiores níveis de fé, de esperança e de conversão.
Temos de aprender a viver em mudança. Aprender a deixar coisas e práticas que já não evangelizam nem abrem caminhos para o Reino de Deus. É preciso aprender a tentar ensaiar caminhos de inovação; desenhar e ensaiar novas formas de evangelização, de pregação da palavra de Jesus; buscar novos caminhos para acolher e promover o Reino. A nossa fonte inesgotável de energia é Jesus. Somente nEle vamos encontrar forças para gastar a nossa vida para que o Seu projeto continue vivo também no futuro.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.



Texto baseado no livro de José Antonio Pagola - Recuperar o projeto de Jesus.

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