A comunidade que anuncia curando


As primeiras comunidades sabiam que deveriam agir no mundo curando e, como comunidade unida em nome de Jesus, podemos sim ser essa presença que cura e que alivia o sofrimento. Não é sozinho como um milagreiro, mas como comunidade que gera a vida. Jesus nos ensina como comunidade, e quando nos reunimos em seu nome, Ele está no meio de nós realizando as curas.
A ninguém passa despercebido que estamos vivendo uma grave crise de autoridade. A confiança na palavra institucional está em níveis mínimos. Precisamos de uma maneira nova de ensinar. Não é falando de maneira autoritária que vamos anunciar a boa notícia de Deus. Não é suficiente transmitir corretamente a tradição para abrir os corações à alegria da fé. Não somos escribas, mas discípulos de Jesus, e precisamos, como Ele, ensinar curando, pois quando Jesus curava, as pessoas exclamavam: “essa maneira de ensinar com autoridade é nova”.
A comunidade deve promover a saúde integral das pessoas, deve ir ao encontro de todos os que se sentem enfermos, abatidos, exaustos e humilhados. Como podemos promover a vida no meio do nosso povo que sofre? Como ser uma comunidade que cura?
Toda a ação de Jesus procura encaminhar as pessoas para uma vida mais sadia. Ele lutou para criar uma convivência mais humana e solidária. Ofertou o perdão para pessoas mergulhadas na culpa, a ternura para com os maltratados, esforçou-se para libertar todos do medo e da insegurança, para que vivessem a partir da confiança absoluta em Deus.
Não é estranho que, ao confiar sua missão aos discípulos, Jesus os imagine não como doutores, liturgistas ou teólogos, mas como curadores: “proclamai que o Reino de Deus está próximo: curai enfermos, ressuscitai mortos, purificai leprosos, expulsai demônios”. A primeira tarefa da Igreja não é celebrar a missa ou elaborar teologia ou pregar moral, mas curar, libertar do mal, tirar do abatimento, semear a vida, ajudar a viver de maneira saudável. Essa luta pela saúde integral é caminho de salvação e promessa de vida. “Eu vim para que todos tenham vida”.
A palavra de Jesus não está revestida de poder institucional que procura impor sua própria vontade sobre os outros. Sua autoridade nasce da força do Espírito, provém do amor às pessoas, da busca por aliviar o sofrimento, curar as feridas, e promover uma vida mais sadia. Jesus não produz submissão, infantilismo ou passividade. Ele liberta de medos, infunde confiança em Deus, anima as pessoas a buscar um mundo novo.
Jesus é um mestre de vida que coloca o ser humano diante das questões mais decisivas e vitais. Um profeta que ensina a viver. Será que nossas comunidades têm provocado questões vitais em seus membros? Precisamos de mestres que ensinem a arte de abrir os olhos para as injustiças e os sofrimentos, mas também de abri-los para maravilhar-se diante da vida e interrogar-se, com simplicidade, sobre o sentido último da existência.

Pe. Fagner Dalbem Mapa, C.Ss.R.




Texto baseado no livro de José Antonio Pagola - O Caminho Aberto por Jesus: Marcos

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